quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Regeneração da medula espinhal

Divulgação Agência FAPESP – O bloqueio que impede o crescimento de fibras nervosas jovens em mamíferos adultos pode ser liberado por meio da inibição ou da eliminação genética de uma enzima específica em células nervosas danificadas, indica uma pesquisa publicada neste domingo (8/8) na revista Nature Neuroscience.
O trabalho sugere que terapias que usem como alvo essas enzimas responsáveis pelo bloqueio podem vir a ter efeitos benéficos para o tratamento de danos na medula espinhal. O estudo obteve a regeneração de conexões responsáveis pelos movimentos voluntários.
Zhigang He, do Departamento de Neurologia da Escola Médica Harvard, e colegas observaram em camundongos com medulas danificadas uma atividade muito pequena da enzima mTOR em neurônios adultos danificados no trato corticoespinhal – conjunto de axônios entre o córtex cerebral do cérebro e a medula espinhal. A enzima é responsável pela promoção do crescimento dos neurônios.


Segundo os autores do estudo, isso ainda precisa ser investigado, assim como se o método pode vir a ser efetivamente experimentado em humanos com problemas de movimento devido a acidentes na medula espinhal.
De qualquer maneira, He e colegas destacam que os resultados do estudo permitem sugerir que drogas que tenham como alvo os mecanismos que limitam a atividade da mTOR em sistemas nervosos adultos podem ter efeitos benéficos para danos na medula.
O artigo PTEN deletion enhances the regenerative ability of adult corticospinal neurons (doi:10.1038/nn.2603), de Zhigang He e outros, pode ser lido por assinantes da Nature Neuroscience em www.nature.com/neuro.

Desafio mundial em energia renovável

Divulgação Agência FAPESP– Poderão ser encaminhadas até 30 de setembro idéias de pesquisadores, estudantes e empreendedores para o programa Eco Challenge: Powering the Grid, da General Electric, que prevê investimentos de US$ 200 milhões. São três as categorias: Energias Renováveis, Rede Elétrica, Casas e Prédios Ecológicos. O programa é aberto a maiores de 18 anos e tem como objetivo incentivar projetos na área de geração, distribuição e uso de energia renovável. A iniciativa visa à busca de soluções para geração de energia limpa e a diversificação das matrizes energéticas existentes.
“Os participantes selecionados receberão um aporte de investimentos no valor inicial de US$ 100 mil e estabelecerão relações comerciais com a GE, trabalhando em conjunto com cientistas, técnicos e pesquisadores da companhia em seus centros de pesquisa” (AGÊNCIA FAPESP, 2010).
Mais informações:
www.ecomagination.com/challenge

terça-feira, 27 de julho de 2010

Máquina de Ciência

Resumo dos autores: A explosão da informação esta mudando a paisagem da ciência. Computadores já desempenham papel importante na armazenagem, manipulação e análise de informações. Baseando-se em abordagens de inteligência artificial, cada vez mais programas de computadores são capazes de integrar o conhecimento publicado com dados experimentais à pesquisa de padrões e relações lógicas, e permitir que novas hipóteses surjam com pouca intervenção humana.
Os cientistas usarão tais abordagens computacionais para redirecionar as drogas, caracterizar funcionalmente genes, identificar os elementos de vias bioquímicas celulares, e destacar as violações essenciais da lógica e incoerência no entendimento científico. Podemos prever que dentro de uma década, ferramentas automatizadas ainda mais poderosas permitiram geração de hipóteses em numerosas experiências em biomedicina, química, física e até mesmo nas ciências sociais.
Novos conhecimentos simplesmente emergiram da aplicação mecânica de algoritmos de dados coletados para os padrões plausíveis. Esta abordagem é atraente, mas há perigos potenciais. A descoberta de padrões a partir dos dados só é similar à tarefa diante de um explorador em uma selva desconhecida, sem um guia.

Uma pesquisa recente demonstra como os cientistas podem usar os computadores para se tornar melhor informado e mais ágil exploradores. Novas ferramentas computacionais podem expandir o conjunto de conceitos e relações utilizados para gerar hipóteses automatizada (i) elaboração do corpus mais vasto da ciência publicada, e (ii) síntese de novos conceitos de maior e de menor ordem e as relações a fonte existente de conhecimentos. Esta abordagem pode permitir aos cientistas estudar um determinado sistema natural, como um caminho bioquímico para identificar e preencher as peças faltantes, percorrer muito mais as cadeias de raciocínio do que aquelas possíveis com a mente desarmada.
Acesso ao texto completo: Machine Science de James Evans e Andrey Rzhetsky (doi: 10.1126/science.1189416)

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Redes sociais determinam dinâmica de transmissão do vírus da hepatite C


Resumo dos autores: O vírus da hepatite C (HCV) infecta 170 milhões de pessoas em todo o mundo, e é um importante problema de saúde pública no Brasil, onde mais de 1% da população pode ser infectado e em vários genótipos virais co-circular. Cronicamente indivíduos infectados são a fonte de transmissão para os outros e corre o risco de doenças relacionadas com o HCV, como câncer de fígado e cirrose. Antes da adoção de medidas de controle anti HCV nos bancos de sangue, o vírus foi transmitido principalmente através da transfusão de sangue. Hoje, a partilha de agulhas, entre usuários de drogas injetáveis é a forma mais comum de transmissão do VHC. De particular importância é que a prevalência do HCV é crescente nos grupos de não-risco. Como não há vacina contra o HCV, é importante para determinar os fatores que controlam a transmissão do vírus, a fim de elaborar medidas de controle mais eficientes. No entanto, apesar da saúde os custos associados com HCV, os fatores que determinam a propagação do vírus em escala epidemiológica são muitas vezes mal compreendidos. Aqui, nós arranjamos em seqüência parcial do gene NS5B seqüências amostradas a partir de amostras de sangue coletadas de 591 pacientes no estado de São Paulo, Brasil. Nós mostramos que o diferente genótipo viral São Paulo entrou em momentos diferentes, cresceu a taxas diferentes e estão associadas a diferentes grupos etários e comportamentos de risco. Em particular, subtipo 1b são mais velhos e cresceu mais lentamente do que os subtipos 1a e 3a, e está associada com múltiplas classes de idade. Em contrapartida, os subtipos 1a e 3b são associados com os jovens infectados, mais recentemente, possivelmente com maiores taxas de transmissão sexual. A dinâmica de transmissão do HCV em São Paulo, portanto, variam de acordo com o subtipo e são determinadas por uma combinação de idade, exposição ao risco e da rede social subjacente. Concluímos que os fatores sociais podem desempenhar um papel fundamental na determinação da taxa e do padrão de disseminação do VHC, e deve influenciar as políticas de intervenção no futuro.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

O clima de ondas ao longo da costa brasileira


Resumo dos autores: O trabalho apresenta o clima de ondas da região ao largo da costa brasileira com base em uma série temporal de onze anos (Jan/1997-Dez/2007) obtida através de dados de re-análise do modelo operacional NWW3. Informações sobre o regime de ondas no Brasil são escassas e baseadas em observações ocasionais de curto período, sendo a análise inédita na escala espaço-temporal apresentada. Para a definição do clima de ondas foram definidos e analisados seis setores ao longo da quebra da plataforma continental brasileira: Sul (W1), Sudeste (W2), Central (W3), Leste (W4), Nordeste (W5) e Norte (W6). W1, W2 e W3 possuem os regimes de ondas controlados pela Alta Subtropical do Atlântico Sul (ASAS) e pela passagem de frentes frias sinóticas; W4, W5 e W6 são controlados pela Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) e sua oscilação meridional. As ondas mais energéticas são de S, geradas por ventos intensos associados à passagem de frentes frias, afetando principalmente a região sul e sudeste do país. A energia das ondas apresenta um decréscimo de sul para norte, com a sua variação anual mostrando que o período de inverno as ondas são mais energéticas nos setores W1 a W4, enquanto que nos setores W5 e W6 as condições mais energéticas ocorrem nos meses de verão do hemisfério sul. As informações apresentadas fornecem condições de contorno para diferentes estudos relacionados a processos costeiros, fundamentais para a melhor compreensão da zona costeira do Brasil. Acesso ao texto completo em: PIANCA, Cássia; MAZZINI, Piero Luigi F.; SIEGLE, Eduardo.Brazilian offshore wave climate based on NWW3 reanalysis. Braz. Journal Oceanogr. São Paulo, v.58 n.1 jan./mar. 2010. doi: 10.1590/S1679-87592010000100006

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Mata Atlântica Pede Socorro

Dados parciais do projeto Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, referentes ao período 2008-2010, revelam que a Mata Atlântica perdeu 20.857 hectares de sua cobertura vegetal, o que equivale à metade da área do município de Curitiba (PR).

O número é parcial porque o Inpe analisou imagens feitas por satélites de 72% da Mata Atlântica, com a atualização dos mapas de nove entre os 17 Estados nos quais o bioma está presente: Goiás, Espírito Santo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.




Minas Gerais foi o Estado que mais perdeu cobertura nativa e, ao lado do Paraná e de Santa Catarina, está entre as unidades da Federação que mais desmataram esse bioma. Cabe ressaltar que Minas Gerais teve 80% de sua área analisada, e o Paraná, 90%, o que significa que o desmatamento pode ter sido maior.


O “Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica” é fruto de um convênio pioneiro - originalmente estabelecido para a elaboração do mapeamento do bioma firmado em 1989 entre a Fundação SOS Mata Atlântica, uma organização não-governamental, e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), um órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia. Desde então, as duas organizações trabalham juntas com o objetivo de determinar a distribuição espacial dos remanescentes florestais e ecossistemas associados da Mata Atlântica, monitorar as alterações da cobertura vegetal e produzir informações permanentemente aprimoradas e atualizadas do bioma. Os avanços tecnológicos na área da informação, sensoriamento remoto, processamento de imagens de satélites e geoinformação vêm contribuindo favoravelmente para a realização deste Atlas, especialmente para torná-lo mais preciso e detalhado e mais acessível às pessoas, de forma a possibilitar a criação de um cenário em que cada cidadão pode ao toque das mãos, conhecerem a Mata Atlântica de sua cidade, de sua região, de seu Estado e agir em favor da conservação e restauração florestal do bioma, meta atingida pelas organizações promotoras, graças à internet, ao criar o Atlas dos Municípios da Mata Atlântica em 2004.

As demais informações, tais como os mapas, imagens, fotos de campo, arquivos em formato vetorial e dados dos remanescentes florestais, por Município, Estado, Unidade de Conservação, Bacia Hidrográfica, Corredor de Biodiversidade e Área prioritária para conservação da biodiversidade estão acessíveis nos portais
http://www.sosma.org.br/ e http://www.inpe.br/ ou diretamente no servidor de mapas http://mapas.sosma.org.br/.

Fonte:
Fapesp, Sos Mata Atlântica e Inpe

terça-feira, 25 de maio de 2010

Pesquisa sobre crescimento de crianças e adolescentes Brasileiros


Pesquisadores do Programa de Pós Graduação em Educação Física da Universidade Federal de Santa Catarina e da Escola Superior de Educação Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul compararam o padrão de crescimento de crianças e adolescentes brasileiros com curvas internacionais de referência para crescimento físico.
A avaliação realizada nos 41.654 escolares revelou que a estatura difere entre o sexo masculino e feminino a partir dos 10 anos de idade e que até os 12 anos as meninas são mais pesadas que os meninos. Ao comparar os valores de estatura e peso corporal de ambos os sexos com os valores de referência da Organização Mundial de Saúde e dos padrões Norte Americano foi identificado que os jovens brasileiros atingiram e ultrapassaram os pontos de referência. Esses dados sugerem que a magnitude do crescimento em peso corporal e estatura de crianças e adolescentes da zona urbana do Brasil estão cada vez mais semelhantes à reportada em países desenvolvidos, o que não era verificado duas ou três décadas atrás.
Os autores destacam que o estudo adiciona informações importantes e atualizadas sobre a comparação de crianças e adolescentes brasileiros com curvas de crescimento físico empregadas internacionalmente, podendo servir como parâmetro comparativo para investigações nas diferentes regiões brasileiras.
O estudo faz parte do Projeto Esporte Brasil (PROESP-BR), um observatório permanente dos indicadores de crescimento, desenvolvimento e estado nutricional de crianças e adolescentes brasileiros de 7 a 17 anos, cujo objetivo é delinear o perfil somatomotor, hábitos de vida e fatores de aptidão motora em crianças e adolescentes, tendo em vista agregar indicadores para subsidiar políticas de Educação Física e Esportes para escolares brasileiros. A coleta de dados referente a esse artigo publicado no Jornal de Pediatria ocorreu no ano de 2004 e 2005 em 23 estados da federação mais o Distrito Federal. Este projeto parte de um conjunto de projetos realizados pela rede dos Centros de Excelência Esportiva (CENESP), ligada ao Departamento de Excelência Esportiva e Promoção de Eventos da Secretaria Nacional de Esporte de Alto Rendimento do Ministério do Esporte do Brasil.
O artigo completo pode ser acessado em: SILVA, Diego Augusto Santos; PELEGRINI, Andreia; PETROSKI, Edio Luiz e GAYA, Adroaldo Cesar Araujo. Comparação do crescimento de crianças e adolescentes brasileiros com curvas de referência para crescimento físico: dados do Projeto Esporte Brasil. J. Pediatr. (Rio J.) [online]. 2010, vol.86, n.2, pp. 115-120. ISSN 0021-7557. doi: 10.1590/S0021-75572010000200006
Fonte: Scielo