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quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Programa de inserção no esporte melhora rendimento escolar

Por Hérika Dias - herikadias@usp.br
O investimento em programas públicos de iniciação esportiva pode influenciar nos resultados em sala de aula. Alunos que participam desses programas obtiveram melhor rendimento escolar. É o que mostra pesquisa de mestrado, que avaliou a relação dos gastos envolvidos nesse tipo de ação e seus resultados, apresentada no Programa de Pós-graduação Interunidades em Nutrição Humana Aplicada (PRONUT), que engloba as Faculdades de Saúde Pública (FSP), Economia, Administração e Contabilidade (FEA) e Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP.
O estudo mostra a razão custo-efetividade da inserção esportiva, ou seja, quanto foi necessário gastar com recreação esportiva com cada criança para o aumento das notas. Em média, cada ponto de melhora no rendimento escolar nas notas de português foi associado a um custo de R$133,05 por criança por trimestre ou nas notas de matemática o valor de R$134,07.
Para chegar a esses números, a economista e autora da pesquisa Julia Guimarães Aranha acompanhou, durantes três meses, alunos de oito a dez anos de escolas de Indaiatuba, interior de São Paulo, que participavam do Programa de Recreação, Iniciação e Aperfeiçoamento (PRIA). Um programa da prefeitura da cidade voltado à inserção social e introdução de crianças em atividades esportivas fora da sala de aula.
“A proposta do estudo foi avaliar o PRIA quanto ao seu impacto sobre indicadores de estado nutricional, qualidade de vida e rendimento escolar das crianças em relação aos gastos públicos envolvidos”, explica Julia.

Cada um desses indicadores tiveram análises de diferentes variáveis, no caso do estado nutricional, foi considerado o Índice de Massa Corpórea (IMC) e a bioimpedância (BIA); para a qualidade de vida, foi aplicada a Escala de Avaliação de Qualidade de Vida (AUQEI, em francês) e para o rendimento escolar, foram utilizadas as notas de português e matemática.
Metodologia

A pesquisadora dividiu 86 estudantes em dois grupos: o primeiro que participaria do PRIA (grupo caso) e o segundo que não participaria (grupo controle). Foram realizadas aferições antropométricas e aplicados questionários socioeconômico e demográfico aos dois grupos antes dos alunos entrarem no programa de iniciação esportiva e após três meses. Também foi feita a avaliação econômica do PRIA com levantamento do custo do programa.
“A metodologia para avaliar a efetividade do PRIA utilizou o método de estimação Diferenças em Diferenças, bastante empregado na avaliação de políticas públicas. Assim conseguimos fazer modelos para medir os parâmetros do estado nutricional, qualidade de vida e rendimento escolar de cada um dos alunos dos dois grupos”, afirma Julia.
Resultado

Segundo a professora Denise Cavallini Cyrilo, orientadora da pesquisa, o estudo conseguiu verificar que o PRIA foi efetivo em termos de rendimento escolar, uma variável de inserção social, e também verificou o quanto a prefeitura de Indaiatuba deveria gastar por criança para contribuir com a melhoria do rendimento escolar.
O resultado mostrou que os alunos que participavam do programa melhoraram, em média, suas notas de português e matemática em 0,790 e 0,784, respectivamente. A partir desses valores, também foi realizada análise do custo-efetividade, avaliação econômica utilizada para programas públicos em diversas áreas.
“Medimos o custo médio da prefeitura com cada criança participante do PRIA e comparamos com o rendimento escolar. Descobrimos que o PRIA foi efetivo em termos de rendimento escolar por meio do esporte, do programa da Secretaria de Esportes da cidade de Indaiatuba”, ressalta Julia.
Para melhorar um ponto na nota de português de um aluno, a prefeitura deveria investir R$133,05 nas ações esportivas durante um trimestre; já na nota de matemática, o custo seria de R$ 134,07.
A professora Denise destaca que “em termos de estado nutricional e qualidade de vida, o período analisado foi insuficiente para verificar a efetividade do PRIA sobre essas duas variáveis”.
De acordo com a pesquisadora, apesar dos resultados estatisticamente não significantes, há indícios de que atividades esportivas também podem ter influência positiva sobre o estado nutricional e sobre a qualidade de vida. “Novos estudos são necessários a esse respeito avaliando-se períodos mais estendidos”, adverte Julia.

texto completo aqui 

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Empreendimentos sociais geram ganhos materiais e bem-estar

Por Rúvia Magalhães Agência Usp
Um empreendimento social é uma organização sem fins lucrativos com uma ideia inovadora para promover uma mudança social. Visando entender melhor como eles funcionam e como contribuem para a promoção do desenvolvimento local, a pesquisadora Monica Bose, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP, iniciou sua tese de doutorado. Por meio desse estudo foi possível concluir que os empreendimentos estudados tiveram, além de um incremento do bem-estar social, ganhos materiais. Apesar de terem aprimoramentos a serem feitos, todos as iniciativas estudadas são bem estruturadas e têm condições de alcançar metas. O estudo envolveu três empreendimentos sociais da região metropolitana de São Paulo.
A pesquisa constituiu na identificação e análise, em nível local, das contribuições das iniciativas. Os empreendimentos alvo dos estudos foram a Aliança Empreendedora, criado em Curitiba, a Rede Interação, criada em São Paulo, e o Fundo Zona Leste Sustentável, também criado em São Paulo.A Aliança Empreendedora tem como objetivo auxiliar na capacitação e formação de catadores de lixo cooperados, por meio de cursos e assessorias. A Rede Interação objetiva realizar a urbanização de áreas precárias, transformando a realidade do local. O Fundo Zona Leste Sustentável visa fortalecer a economia local (da região de São Miguel Paulista, na zona leste da cidade) e mobiliza recursos para movimentação dos negócios na região. Segundo a pesquisadora, esses empreendimentos estão se tornando cada vez mais profissionalizados, porém ainda restava a dúvida se eles estariam tendo impactos socais. Monica analisou se os objetivos a que eles se propuseram estavam sendo alcançados e aprofundou o debate nesse aspecto: Se os objetivos não foram alcançados, quais são os motivos? Oque poderia ser feito para que sejam alcançados?. Além disso, a pesquisadora avaliou se esses empreendimentos eram bem constituídos, quais eram suas contribuições nos aspectos sociais e em quais medidas. “Um segundo objetivo para a pesquisa foi tentar construir métricas que associassem a ação do empreendedorismo social ao desenvolvimento local”, explica a pesquisadora. Ela ressalta que buscou não apenas entender se o empreendimento social estudado atingiu seus próprios objetivos, mas se ele conseguiu, e em que medida, colaborar com o desenvolvimento, pensado como liberdade ou expansão de capacidades. Ou seja, ela também buscou analisar “em que medida os empreendimentos ampliaram as capacidades dos indivíduos que são beneficiados por suas ações”.


Metodologia
A tese foi desenvolvida a partir de uma abordagem contextualista dos empreendimentos sociais. Foram três estudos de caso, abordando as iniciativas já citadas inseridas em seu próprio meio, em parceria com agentes e atores que vão influenciar a ação e os resultados desse empreendimento social. “Estudei as teorias sobre o desenvolvimento social e sobre o desenvolvimento local para fundamentar esse estudo e estabelecer um diálogo sobre a questão do desenvolvimento e do empreendedorismo social”, relata Monica. Com base nas análises e teorias, foram identificados os principais agentes influenciadores e que tipo de poder e capitais eles mobilizam. A partir do estudo de cada caso, foram buscados indicadores capazes de apontar se aquelas comunidades nas quais os empreendimentos trabalhavam tiveram algum ganho, em termos de promoção de desenvolvimento. Foram usados três vertentes de indicadores: de riqueza material, de bem-estar social e de empoderamento.

Conclusões
A pesquisadora apontou que, embora os empreendimentos sejam diferentes, com abordagens diferentes, as iniciativas chegam a resultados parecidos: “apesar da fundamentação ser diferente e as metodologias adotadas também serem diferentes, é bastante interessante notar que eles chegam em resultados parecidos”.

Em todos os três casos, o indicador mais evidente foi na esfera da riqueza material. Todos trouxeram ganhos significativos seja na geração de empregos, no aumento da renda e no poder de consumo das pessoas que participaram dos empreendimentos estudados. Já a promoção do bem-estar social foi relativa, dependendo do foco de cada iniciativa pôde ser mais direta ou indireta. Todos os empreendimentos sociais estudados têm metodologias eficientes e bem estruturadas, o que revelam boas condições de atingir os objetivos. No entanto, as instituições têm aperfeiçoamentos a serem feitos. Uma das principais é a formulação de um método que sugira formas de ampliar a participação popular e o público atendido pelas oportunidades oferecidas.