Mostrando postagens com marcador Pesquisa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pesquisa. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 14 de março de 2017

Reprodutibilidade questionada

Pesquisa Fapesp ED. 252 | FEVEREIRO 2017

Começaram a sair os resultados da Iniciativa de Reprodutibilidade, um projeto norte-americano lançado em 2013 para avaliar a reprodutibilidade de 50 candidatos a medicamentos contra câncer, depois de a empresa de biotecnologia Amgen ter comunicado que não havia conseguido refazer, com os mesmos resultados, 47 de 53 experimentos descritos em revistas como NatureScience e Cell. Cinco estudos foram apresentados em janeiro na Nature e eLife: o teste dos efeitos de um peptídeo antitumoral falhou, os de dois compostos anticâncer apresentaram dados praticamente iguais aos do estudo original e outros dois não tiveram resultados claros, impossibilitando comparações.

Erkki Ruoslahtia, pesquisador do Instituto de Pesquisa Médica Sanford Burnham Prebys, da Califórnia, responsável por um peptídeo antitumoral que não passou nos testes, disse à Nature que pelo menos 10 laboratórios nos Estados Unidos, Europa, China e Japão tinham chegado aos mesmos resultados que os seus. Segundo ele, o fato de um experimento não ter sido reproduzido de modo fiel ao estudo inicial não significa que não possa levar aos mesmos resultados. Ruoslahtia disse temer que a irreprodutibilidade dos resultados prejudicasse a aprovação dos pedidos para financiamentos das próximas pesquisas.

A falha em reproduzir os resultados não implica necessariamente que as conclusões apresentadas estejam erradas, alertou Tim Errington, gerente da Iniciativa de Reprodutibilidade e pesquisador do Center for Open Science da Universidade de Virgínia, Estados Unidos. Segundo ele, os pesquisadores deveriam tomar os resultados negativos como informação, não como condenação, a não ser que outros também não cheguem aos resultados esperados. À Nature, Errington comentou que talvez a conclusão mais clara desse projeto seja que muitos artigos incluem poucos detalhes sobre os métodos usados nos experimentos.
No editorial, a Nature lembrou que a reprodutibilidade é um dos pressupostos do trabalho científico e ressaltou, sem justificar, a diferença entre os resultados dos experimentos originais e as replicações. Em um dos casos, os camundongos com câncer induzido tratados com um antitumoral sobreviveram nove semanas no estudo original e apenas uma nos experimentos que tentaram reproduzir o trabalho inicial.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Como prever o impacto de pesquisas

Agência FAPESP
Em 1905, Albert Einstein publicou uma série de artigos no periódico Annalen der Physik que estabeleceu a base da Física moderna, alterando os conceitos a respeito de espaço, tempo, massa e energia. Outroannus mirabilis para a ciência foi 1953, com a publicação de um artigo naNature em que James Watson e Francis Crick descreveram a estrutura molecular do DNA.
Einstein, Watson e Crick sabiam muito bem da importância de seus trabalhos, mas não poderiam prever a dimensão do impacto que seus artigos promoveriam na ciência anos ou décadas depois.
A mesma Nature que revelou o formato de dupla hélice do ácido desoxirribonucleico acaba de lançar uma curiosa forma para prever o impacto de artigos científicos. Impacto, é bom dizer, não na comunidade científica atual, mas no mundo como um todo. E no futuro.
O SciPher é um produto de inteligência artificial feito em um “porão secreto” por especialistas da equipe editorial da revista. O sistema é capaz de prever com 100% de exatidão o efeito de uma determinada pesquisa daqui a 50 anos.
É claro que se trata de uma brincadeira. No site do SciPher, qualquer cientista pode inserir o título ou um breve resumo de sua pesquisa (em inglês) para saber o impacto do trabalho no futuro. Futuro na Terra e em outros mundos, uma vez que a base do sistema utiliza tanto o arquivo da Nature como detalhes de episódios de seriados de televisão.
O site marca a nova edição da revista, que celebra o gênero da ficção científica. A edição especial traz reportagens sobre a vida e a obra de H. G. Wells, sobre como cientistas foram inspirados por obras da ficção e uma análise do impacto de Jornada nas Estrelas– que faz 50 anos –, entre vários outros temas.
Um exemplo de como funciona o SciPher. Ao inserir o título do artigo de Watson e Crick de 1953 – Molecular Structure of Nucleic Acids: A Structure for Deoxyribose Nucleic Acid, a previsão retorna pérolas do tipo: “Sua tentativa de salvar uma base secreta de ácido desoxirribonucleico será bem sucedida, levando eventualmente à destruição de toda a vida no Universo”. Esse impacto certamente os descobridores da dupla hélice não poderiam imaginar.
Mais informações: www.nature.com/scifi-predictor