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segunda-feira, 6 de abril de 2015

Estudo traz dados inéditos para restauração de florestas

Resumo da autora:

A restauração ecológica, ao buscar a manutenção de processos ecológicos e serviços ecossistêmicos, vem exercendo um importante papel na recuperação de ecossistemas degradados e conservação da biodiversidade. Restabelecer as interações entre organismos pode, contudo, ser uma tarefa mais árdua em ambientes de alta diversidade com complexas relações ecológicas como as florestas tropicais. Neste trabalho, investigamos a resposta dos insetos visitantes florais à restauração por plantio de mudas de espécies de Floresta Estacional Semidecidual, uma vez que o restabelecimento do processo de polinização é imprescindível para a perpetuação da floresta implantada. Para isso, foram examinados diferentes aspectos das comunidades de plantas e visitantes florais em seis áreas em processo de restauração. Primeiramente, buscouse analisar a estrutura da comunidade de visitantes florais e seus padrões de visita às flores, avaliandose também se a proximidade de fragmentos de vegetação nativa é importante na determinação da estrutura destas comunidades. Além disso, investigamos as espécies vegetais que florescem nos estágios iniciais de restauração para verificarmos se a comunidade de plantas se restabelecendo em cada local é importante na determinação da comunidade de visitantes. Por fim, avaliamos o restabelecimento do processo de polinização ao averiguar o transporte de pólen ocorrendo nas áreas restauradas e ao examinar a robustez das redes formadas frente à extinção simulada de espécies. Todas as áreas analisadas apresentaram redes de interação plantavisitante floral com estrutura e atributos comuns a outras redes mutualísticas de polinização, indicando que o processo deve estar se restabelecendo. A diferença na composição de espécies de visitantes não resultou em diferenças nos atributos das redes e a distância das áreas restauradas a fragmentos de vegetação nativa não influenciou a composição da comunidade de visitantes. Por outro lado, a vegetação regenerante composta por espécies ruderais aumentou a diversidade de visitantes e também a complexidade das redes de interação planta visitante floral, afetando a composição e provavelmente o funcionamento das comunidades. Embora tanto as redes de visitação quanto as de transporte de pólen revelem comunidades funcionalmente complexas com um número relativamente diverso de interações entre plantas e potenciais polinizadores, os dados de visitação demonstraram que nem todas as áreas possuem o mesmo padrão de resposta à extinção simulada de espécies. A presença massiva de gramíneas é provavelmente um fator determinante da robustez destas redes já que ela dificulta a regeneração natural das espécies ruderais que contribuem para o maior aporte de recursos florais para os insetos visitantes. Este trabalho demonstra a importância de se avaliar a recuperação dos aspectos funcionais de ecossistemas restaurados e tem implicações práticas para o manejo de áreas restauradas onde houver preocupação particular com a recuperação das interações plantapolinizador. Enfatizamos a importância do monitoramento constante de áreas restauradas para melhor entendermos as trajetórias de recuperação das florestas tropicais e recomendamos estudos multidisciplinares que integrem diversas áreas de conhecimento para aperfeiçoarmos as ações de restauração

acesso a Tese de Fragoso, Fabiana Palmeira

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Pequena porção de espécies domina ecossistema na Amazônia

Cientistas de diversas partes do mundo acabam de publicar um estudo sobre a Amazônia onde identificaram que apenas 227 espécies de árvores exercem um tipo de domínio em relação às outras. A floresta amazônica é contém cerca de 16 mil espécies de árvores em cerca de 6 milhões de quilômetros quadrados (Km2) . Esta pequena proporção das espécies, que representam pouco mais de 1%, respondem por 50% do total das árvores da floresta. Ou seja, tem larga representatividade nos ciclos de carbono, água e nutrientes da Amazônia. O grupo de pesquisadores é formado por especialistas de 120 instituições do mundo e inclui 25 pesquisadores brasileiros.
Segundo o professor Alexandre Adalardo de Oliveira, do Laboratório Ecologia de Florestas Tropicais, do Instituto de Biociências (IB) da USP, coautor do estudo, os dados se referem a anos de pesquisas. “É a primeira vez que um conjunto de dados nesta escala é analisado”, diz o professor, lembrando que muitos estudos começaram há muitos anos. “Eu mesmo estudei as áreas de Manaus no início dos anos 1990 com meu trabalho de doutorado. Outros foram iniciados na década anterior”, ressalta. O estudo Hyperdominance in the Amazonian Tree Flora, que acaba de ser publicado Science, foi liderado pelo biólogo holandês Hans ter Steege, da Utrecht University, da Holanda.
As causas deste “domínio” ainda permanecem desconhecidas, mas o que se sabe é que grande parte da matéria e energia do sistema passa por essas espécies. Os cientistas sugerem que algumas espécies hiper-dominantes talvez sejam comuns por terem sido cultivadas pelos grupos indígenas antes de 1492, mas isso ainda é um assunto em discussão.“Essas espécies chamadas de hiper-dominantes podem nos ajudar a entender o funcionamento da floresta e a modelar possíveis cenários de utilização dos recursos e mesmo as consequências de mudanças climáticas no funcionamento do sistema”, avalia Adalardo.O estudo analisa dados compilados de 1.170 levantamentos florestais em todos os principais tipos florestais da Amazônia, para gerar a primeira estimativa de abundância, frequência e distribuição espacial em larga escala de milhares de árvores amazônicas.Extrapolações sugerem que a grande Amazônia, o que inclui toda a bacia amazônica e as Guianas, abriga cerca de 400 bilhões de árvores.
Lista vermelha


Em contraste com a presença das “hiper-dominantes”, o estudo também indica que cerca de 6 mil espécies de árvores da Amazônia têm populações menores do que 1.000 indivíduos, o que automaticamente as qualificaria para inclusão na Lista Vermelha de espécies ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). De fato, algumas dessas espécies são tão raras, que os cientistas talvez nunca as encontrem.Contudo, Adalardo adverte sobre os outros 99% das espécies que não estão entre as dominantes. “Notem que, apesar de estarmos falando de metade das árvores, estamos tratando de apenas pouco mais de 1% das espécies que compõem essa imensidão de floresta ou seja, não podemos esquecer que há de se revelar ainda esse universo composto pela outra metade das árvores e grande maioria das espécies para escrevermos uma história mais completa sobre a diversidade e funcionamento dessa floresta.”