Com a descoberta de que a neurogênese constitutiva persiste no cérebro adulto, surgiu a hipótese na literatura de que a doença de Alzheimer poderia ser superada, ou pelo menos melhorada, visto que a geração de novos neurônios poderia ajudar a compensar a perda de neurônios na doença. No trabalho “Enriquecimento ambiental como estratégia para promover a neurogênese na doença de Alzheimer: possível participação da fosfolipase A2”, de Evelin L. Schaeffer, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, foi revisada a literatura sobre a neurogênese endógena no cérebro de sujeitos e modelos animais com Alzheimer, os efeitos de atividade cognitiva sobre a neurogênese e a relação entre a enzima fosfolipase A0 (PLA2) e a neurogênese. A base de dados MedLine foi pesquisada utilizando as palavras-chave doença de Alzheimer, atividade cognitiva, fosfolipase A2, neurogênese e neuritogênese. A revisão da literatura evidenciou neuroproliferação aumentada no cérebro com Alzheimer, no entanto os novos neurônios falham em se diferenciar em neurônios maduros. Uma estratégia não farmacológica, ambiente enriquecido, aumenta a neurogênese (incluindo amadurecimento neuronal) em animais experimentais. Relação entre PLA2 e neurogênese tem sido demonstrada em modelos experimentais in vitro e in vivo. Os dados indicam que o enriquecimento ambiental (com estimulações cognitiva e física) poderia ser uma estratégia apropriada para promover a neurogênese endógena na doença de Alzheimer e sugerem a participação da PLA2 na neurogênese promovida por estimulação cognitiva.
Blog destinado a graduandos, mestrandos,doutorandos e demais envolvidos com a produção científica e técnica
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
1. Conferência Luso-brasileira Acesso Livre
Em novembro deste ano, nos dias 25 e 26, acontecerá a 1. Conferência Luso-Brasileira de Acesso Livre, na Universidade do Minho, Portugal, após protocolo de entendimento assinado pelos Ministros da Ciência e Tecnologia de Portugal e Brasil, e dando continuidade às Conferências sobre o mesmo tema ocorridas em 2005, 2006, 2008 e 2009, organizadas pela Universidade do Minho.
A conferência pretende reunir as comunidades portuguesas e brasileiras que desenvolvem atividades, nomeadamente de investigação, de desenvolvimento, de gestão de serviços e de definição de políticas, relacionadas com o acesso livre ao conhecimento, através de repositórios e de revistas de acesso livre.
Mais informações em: http://www.acessolivre.pt/c/index.php/confoa/2010
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Neurônios e sinapses quantificados
O gânglio cervical superior (SCG) nos mamíferos varia de acordo com a estrutura etária, o tamanho do corpo, o sexo, a assimetria lateral, o tamanho e o conteúdo nuclear dos neurônios e a complexidade das sinapses e abrangência das árvores dendríticas.
Nos mamíferos de pequeno e médio porte, o número de neurônios aumenta o tamanho desde o nascimento até a idade adulta e, em estudos filogenéticos, variam com o tamanho do corpo. No entanto, estudos recentes em animais sugerem que o maior peso corporal não é, em geral, forma de calcular o número de neurônios. Uma pesquisa realizada na Universidade de São Paulo (USP), com participação de cientistas das universidades Nottingham e College London, no Reino Unido, investigou os padrões de desenvolvimento do sistema nervoso autônomo, representado pelo gânglio cervical superior, em três espécies de mamíferos: ratos, cavalos e capivaras. Aplicando o desenho baseado em ferramentas estereológicos ao nível microscópico de luz para avaliar a composição volumétrica dos gânglios e para estimar o número e o tamanho dos neurônios no SCGs.


“O estudo aponta novas direções para linhas de investigação científica, com enfoque na neuroplasticidade do sistema nervoso autônomo e implicações nos acidentes vasculares cerebrais do tipo hemorrágico, os quais podem ser consequência de distúrbios da inervação simpática da parede dos vasos sanguíneos cerebrais”, disse Coppi.
O artigo completo pode ser acessado (somente por assinantes) na Revista Cell and Tissue Research, v. 341, n. 2, Aug. 2010. Stereological and allometric studies on neurons and axo-dendritic synapses in the superior cervical ganglia of rats, capybaras and horses. Loesch A, Mayhew TM, Tang H, Ladd FV, Ladd AA, de Melo MP, da Silva AA, Coppi AA.
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Regeneração da medula espinhal
Divulgação Agência FAPESP – O bloqueio que impede o crescimento de fibras nervosas jovens em mamíferos adultos pode ser liberado por meio da inibição ou da eliminação genética de uma enzima específica em células nervosas danificadas, indica uma pesquisa publicada neste domingo (8/8) na revista Nature Neuroscience.
O trabalho sugere que terapias que usem como alvo essas enzimas responsáveis pelo bloqueio podem vir a ter efeitos benéficos para o tratamento de danos na medula espinhal. O estudo obteve a regeneração de conexões responsáveis pelos movimentos voluntários.
Zhigang He, do Departamento de Neurologia da Escola Médica Harvard, e colegas observaram em camundongos com medulas danificadas uma atividade muito pequena da enzima mTOR em neurônios adultos danificados no trato corticoespinhal – conjunto de axônios entre o córtex cerebral do cérebro e a medula espinhal. A enzima é responsável pela promoção do crescimento dos neurônios.

Segundo os autores do estudo, isso ainda precisa ser investigado, assim como se o método pode vir a ser efetivamente experimentado em humanos com problemas de movimento devido a acidentes na medula espinhal.
De qualquer maneira, He e colegas destacam que os resultados do estudo permitem sugerir que drogas que tenham como alvo os mecanismos que limitam a atividade da mTOR em sistemas nervosos adultos podem ter efeitos benéficos para danos na medula.
O artigo PTEN deletion enhances the regenerative ability of adult corticospinal neurons (doi:10.1038/nn.2603), de Zhigang He e outros, pode ser lido por assinantes da Nature Neuroscience em www.nature.com/neuro.
O trabalho sugere que terapias que usem como alvo essas enzimas responsáveis pelo bloqueio podem vir a ter efeitos benéficos para o tratamento de danos na medula espinhal. O estudo obteve a regeneração de conexões responsáveis pelos movimentos voluntários.
Zhigang He, do Departamento de Neurologia da Escola Médica Harvard, e colegas observaram em camundongos com medulas danificadas uma atividade muito pequena da enzima mTOR em neurônios adultos danificados no trato corticoespinhal – conjunto de axônios entre o córtex cerebral do cérebro e a medula espinhal. A enzima é responsável pela promoção do crescimento dos neurônios.

Segundo os autores do estudo, isso ainda precisa ser investigado, assim como se o método pode vir a ser efetivamente experimentado em humanos com problemas de movimento devido a acidentes na medula espinhal.
De qualquer maneira, He e colegas destacam que os resultados do estudo permitem sugerir que drogas que tenham como alvo os mecanismos que limitam a atividade da mTOR em sistemas nervosos adultos podem ter efeitos benéficos para danos na medula.
O artigo PTEN deletion enhances the regenerative ability of adult corticospinal neurons (doi:10.1038/nn.2603), de Zhigang He e outros, pode ser lido por assinantes da Nature Neuroscience em www.nature.com/neuro.
Desafio mundial em energia renovável
Divulgação Agência FAPESP– Poderão ser encaminhadas até 30 de setembro idéias de pesquisadores, estudantes e empreendedores para o programa Eco Challenge: Powering the Grid, da General Electric, que prevê investimentos de US$ 200 milhões. São três as categorias: Energias Renováveis, Rede Elétrica, Casas e Prédios Ecológicos. O programa é aberto a maiores de 18 anos e tem como objetivo incentivar projetos na área de geração, distribuição e uso de energia renovável. A iniciativa visa à busca de soluções para geração de energia limpa e a diversificação das matrizes energéticas existentes.
“Os participantes selecionados receberão um aporte de investimentos no valor inicial de US$ 100 mil e estabelecerão relações comerciais com a GE, trabalhando em conjunto com cientistas, técnicos e pesquisadores da companhia em seus centros de pesquisa” (AGÊNCIA FAPESP, 2010).
Mais informações: www.ecomagination.com/challenge
“Os participantes selecionados receberão um aporte de investimentos no valor inicial de US$ 100 mil e estabelecerão relações comerciais com a GE, trabalhando em conjunto com cientistas, técnicos e pesquisadores da companhia em seus centros de pesquisa” (AGÊNCIA FAPESP, 2010).
Mais informações: www.ecomagination.com/challenge
terça-feira, 27 de julho de 2010
Máquina de Ciência
Resumo dos autores: A explosão da informação esta mudando a paisagem da ciência. Computadores já desempenham papel importante na armazenagem, manipulação e análise de informações. Baseando-se em abordagens de inteligência artificial, cada vez mais programas de computadores são capazes de integrar o conhecimento publicado com dados experimentais à pesquisa de padrões e relações lógicas, e permitir que novas hipóteses surjam com pouca intervenção humana.
Os cientistas usarão tais abordagens computacionais para redirecionar as drogas, caracterizar funcionalmente genes, identificar os elementos de vias bioquímicas celulares, e destacar as violações essenciais da lógica e incoerência no entendimento científico. Podemos prever que dentro de uma década, ferramentas automatizadas ainda mais poderosas permitiram geração de hipóteses em numerosas experiências em biomedicina, química, física e até mesmo nas ciências sociais.
Novos conhecimentos simplesmente emergiram da aplicação mecânica de algoritmos de dados coletados para os padrões plausíveis. Esta abordagem é atraente, mas há perigos potenciais. A descoberta de padrões a partir dos dados só é similar à tarefa diante de um explorador em uma selva desconhecida, sem um guia.

Uma pesquisa recente demonstra como os cientistas podem usar os computadores para se tornar melhor informado e mais ágil exploradores. Novas ferramentas computacionais podem expandir o conjunto de conceitos e relações utilizados para gerar hipóteses automatizada (i) elaboração do corpus mais vasto da ciência publicada, e (ii) síntese de novos conceitos de maior e de menor ordem e as relações a fonte existente de conhecimentos. Esta abordagem pode permitir aos cientistas estudar um determinado sistema natural, como um caminho bioquímico para identificar e preencher as peças faltantes, percorrer muito mais as cadeias de raciocínio do que aquelas possíveis com a mente desarmada.
Acesso ao texto completo: Machine Science de James Evans e Andrey Rzhetsky (doi: 10.1126/science.1189416)
Os cientistas usarão tais abordagens computacionais para redirecionar as drogas, caracterizar funcionalmente genes, identificar os elementos de vias bioquímicas celulares, e destacar as violações essenciais da lógica e incoerência no entendimento científico. Podemos prever que dentro de uma década, ferramentas automatizadas ainda mais poderosas permitiram geração de hipóteses em numerosas experiências em biomedicina, química, física e até mesmo nas ciências sociais.
Novos conhecimentos simplesmente emergiram da aplicação mecânica de algoritmos de dados coletados para os padrões plausíveis. Esta abordagem é atraente, mas há perigos potenciais. A descoberta de padrões a partir dos dados só é similar à tarefa diante de um explorador em uma selva desconhecida, sem um guia.

Uma pesquisa recente demonstra como os cientistas podem usar os computadores para se tornar melhor informado e mais ágil exploradores. Novas ferramentas computacionais podem expandir o conjunto de conceitos e relações utilizados para gerar hipóteses automatizada (i) elaboração do corpus mais vasto da ciência publicada, e (ii) síntese de novos conceitos de maior e de menor ordem e as relações a fonte existente de conhecimentos. Esta abordagem pode permitir aos cientistas estudar um determinado sistema natural, como um caminho bioquímico para identificar e preencher as peças faltantes, percorrer muito mais as cadeias de raciocínio do que aquelas possíveis com a mente desarmada.
Acesso ao texto completo: Machine Science de James Evans e Andrey Rzhetsky (doi: 10.1126/science.1189416)
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Redes sociais determinam dinâmica de transmissão do vírus da hepatite C

Resumo dos autores: O vírus da hepatite C (HCV) infecta 170 milhões de pessoas em todo o mundo, e é um importante problema de saúde pública no Brasil, onde mais de 1% da população pode ser infectado e em vários genótipos virais co-circular. Cronicamente indivíduos infectados são a fonte de transmissão para os outros e corre o risco de doenças relacionadas com o HCV, como câncer de fígado e cirrose. Antes da adoção de medidas de controle anti HCV nos bancos de sangue, o vírus foi transmitido principalmente através da transfusão de sangue. Hoje, a partilha de agulhas, entre usuários de drogas injetáveis é a forma mais comum de transmissão do VHC. De particular importância é que a prevalência do HCV é crescente nos grupos de não-risco. Como não há vacina contra o HCV, é importante para determinar os fatores que controlam a transmissão do vírus, a fim de elaborar medidas de controle mais eficientes. No entanto, apesar da saúde os custos associados com HCV, os fatores que determinam a propagação do vírus em escala epidemiológica são muitas vezes mal compreendidos. Aqui, nós arranjamos em seqüência parcial do gene NS5B seqüências amostradas a partir de amostras de sangue coletadas de 591 pacientes no estado de São Paulo, Brasil. Nós mostramos que o diferente genótipo viral São Paulo entrou em momentos diferentes, cresceu a taxas diferentes e estão associadas a diferentes grupos etários e comportamentos de risco. Em particular, subtipo 1b são mais velhos e cresceu mais lentamente do que os subtipos 1a e 3a, e está associada com múltiplas classes de idade. Em contrapartida, os subtipos 1a e 3b são associados com os jovens infectados, mais recentemente, possivelmente com maiores taxas de transmissão sexual. A dinâmica de transmissão do HCV em São Paulo, portanto, variam de acordo com o subtipo e são determinadas por uma combinação de idade, exposição ao risco e da rede social subjacente. Concluímos que os fatores sociais podem desempenhar um papel fundamental na determinação da taxa e do padrão de disseminação do VHC, e deve influenciar as políticas de intervenção no futuro.
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