sábado, 26 de abril de 2014

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS EM TERESINA-PI DECORRENTES DA URBANIZAÇÃO E SUPRESSÃO DE ÁREAS VERDES


Resumo da Autora: SÔNIA MARIA RIBEIRO FEITOSA

A urbanização é um fenômeno decorrente do crescimento populacional que acarreta, por meio de diferentes formas de uso do solo, mudanças no ambiente representadas, especialmente, pela supressão da vegetação, gerando fatores que alteram o comportamento dos elementos meteorológicos e modificam o clima. Teresina, nas últimas três décadas, passou por transformações no seu espaço físico, com o elevado crescimento demográfico entre 1970 e 2009, resultando em expansão de áreas construídas em detrimento das áreas verdes. 

O objetivo geral deste trabalho é analisar as alterações na temperatura média do ar, temperatura mínima do ar, temperatura máxima do ar, umidade relativa do ar e precipitação pluviométrica ocorridas na dinâmica espacial e temporal do clima provocadas pela expansão urbana e supressão da vegetação entre 1977 e 2009. Os objetivos específicos são identificar o nível de 
urbanização e as áreas arborizadas, relacionando-as com a tendência dos elementos meteorológicos, nos períodos de 1977 a 1991 e de 1992 a 2009. Foi utilizada a técnica de sensoriamento remoto para quantificar a vegetação e área urbanizada e estimar a temperatura da superfície do solo, por meio da composição do campo termal da superfície. 


Para validação dos resultados, os dados meteorológicos foram submetidos à análise estatística (teste “t”, ANOVA, teste de Mann-Kendall). Os resultados indicaram temperaturas anuais abaixo da média em 1985, sendo 1983 e 1998, os anos mais quentes da série. Maiores aumentos foram observados de agosto a novembro, tendo outubro como o mês que apresenta maior média de temperatura do ar. De 1992 a 2009, quando a cidade já havia perdido parte da vegetação, a temperatura média do ar e a temperatura mínima do ar apresentaram-se mais elevadas que o período de 1977 a 1991, não sendo verificada mudança no comportamento da temperatura máxima do ar, umidade relativa do ar e precipitação pluviométrica. O aumento da temperatura 
mínima do ar pode estar relacionado com evolução urbana e redução de áreas verdes, e contribui para o aumento da temperatura média do ar. 

Futebol foi refém de interesses entre FIFA e Comitê Olímpico

Por Antonio Carlos Quinto - acquinto@usp.br

Interesses econômicos e ideológicos, e uma disputa de poder entre o Comitê Olímpico Internacional (COI) e a Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA), podem ser apontados como fatores fundamentais para a criação da Copa do Mundo. Afinal, o torneio que acontecerá este ano no Brasil, teve sua primeira edição em 1930, no Uruguai, como resultado de uma disputa pelo controle do futebol entre as duas entidades.
“Uma das principais discussões entre FIFA e COI surge em relação ao amadorismo no esporte”, conta o professor de educação física Sérgio Settani Giglio, que defendeu na Escola de Educação Física e Esportes (EEFE) da USP a tese de doutorado COI x FIFA: a história política do futebol nos jogos olímpicos.

Segundo ele, o objetivo inicial da pesquisa era entrevistar atletas brasileiros que participaram de edições dos jogos olímpicos, na modalidade futebol. “Busquei jogadores para saber de suas dificuldades, suas histórias e trajetórias, os que ficaram famosos e os desconhecidos que participaram dos Jogos Olímpicos entre os anos de 1952 e 2008”, conta. A ideia era traçar um perfil destes atletas para compor um estudo maior, coordenado pela professora Kátia Rubio, da EEFE, sua orientadora no doutorado.

No entanto, durante as entrevistas, que foram cerca de 90 com os atletas do futebol, Giglio percebeu um traço comum. “Muitos falaram da condição de ‘amadores’ como sendo um empecilho para ter um contrato com um clube profissional”, conta. Foi quando a questão da definição de “ser amador” lhe chamou a atenção, o que o fez mudar os rumos do estudo.
Embate histórico

Na busca de mais informações sobre a questão, o pesquisador consultou boletins olímpicos do COI. E já no primeiro, datado de 1894, quando da formação da entidade, Giglio encontrou as primeiras discussões sobre o que é ser ou não amador. Além de documentos da época, o pesquisador selecionou para seu doutorado 9 entrevistas, sendo 8 de atletas e 1 com João Havelange, ex-presidente da Confederação Brasileira de Desportos (CBD) e da FIFA.

Na definição do COI, segundo o pesquisador, o futebol deveria ter a participação de jogadores amadores. “O requisito favorecia a prática do esporte pela aristocracia, e os jogadores não recebiam nenhum tipo de recompensa”, lembra Giglio. Porém, na década de 1920, o futebol ganhava corpo, principalmente com a implantação do profissionalismo de clubes e com a participação de trabalhadores. “De outro lado, a FIFA era favorável ao pagamento dos jogadores, mesmo que pelo tempo de afastamento que durassem os jogos. Nas entrevistas, alguns jogadores relataram a prática dos ‘contratos de gaveta’, em que assinavam um documento de compromisso de profissionalização após a disputa da olimpíada”.

Mas o futebol já se mostrava altamente lucrativo. “Esse embate levou a um rompimento, em 1928, e fez com que a FIFA organizasse, em 1930, a primeira Copa do Mundo, que reuniu jogadores profissionais e amadores”, lembra o pesquisador. “De lá para cá, alguns acordos foram estabelecidos no decorrer do tempo, como a idade limite de 23 anos para o jogador disputar a olimpíada, sendo a restrição mais recente”, descreve. A tensão entre as entidades já não é grande, visto que a FIFA participa da organização do futebol no COI. “Mas fica claro o embate político financeiro e o controle da FIFA no futebol. A entidade criou torneios sub-20 e sub-17 como forma de alimentar nos atletas o desejo de se disputar uma Copa”, analisa o pesquisador.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Pesquisadores brasileiros desenvolvem modelo sobre a origem da água na Terra

Por Elton Alisson, de Chicheley, Inglaterra
Agência FAPESP – Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Guaratinguetá, em colaboração com colegas da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e do Instituto de Astrobiologia da agência espacial norte-americana (Nasa), desenvolveram um modelo mais preciso para determinar a origem da água e da vida na Terra.
Realizado no âmbito do projeto de pesquisa “Dinâmica orbital de pequenos objetos”, apoiado pela FAPESP, o modelo foi descrito em um artigo publicado no The Astrophysical Journal, da Sociedade Americana de Astronomia, e apresentado nesta segunda-feira (24/02) noUK-Brazil-Chile Frontiers of Science.
Organizado pela Royal Society, do Reino Unido, em conjunto com a FAPESP e as Academias Brasileira e Chilena de Ciências, o evento ocorre até quarta-feira (26/02) em uma propriedade da Royal Society em Chicheley, vilarejo do condado de Buckinghamshire, no sul da Inglaterra. E tem como objetivo fomentar a colaboração científica e interdisciplinar entre jovens pesquisadores brasileiros, chilenos e do Reino Unido em áreas de fronteira do conhecimento.
“Desenvolvemos um modelo em que analisamos todas as possíveis fontes espaciais de água e estipulamos qual seria a provável contribuição de cada uma delas na quantidade total de água existente hoje na Terra”, disse à Agência FAPESP Othon Cabo Winter, pesquisador do Grupo de Dinâmica Orbital & Planetologia da Unesp de Guaratinguetá e coordenador do estudo.
De acordo com Winter, até recentemente se acreditava que os cometas, ao colidir com a Terra durante a formação do Sistema Solar, haviam trazido a maior parte da água existente hoje no planeta.
Simulações computacionais da quantidade de água que esses objetos celestes compostos de gelo podem ter fornecido para a Terra – baseadas em medições da quantidade de deutério (o hidrogênio mais pesado) da água deles – revelaram, no entanto, que os cometas não foram as maiores fontes. E que eles não poderiam ter contribuído com uma fração tão significativa de água para o planeta como se estimava, explicou Winter.
“Pelas simulações, a contribuição dos cometas no fornecimento de água para a Terra seria de, no máximo, 30%”, disse o pesquisador. “Mais do que isso é pouco provável”, afirmou Winter.
No início dos anos 2000, segundo o pesquisador, foram publicados estudos internacionais que sugeriram que, além dos cometas, outros objetos planetesimais (que deram origem aos planetas), como asteroides carbonáceos – o tipo mais abundante de asteroides no Sistema Solar –, também poderiam ter água e fornecê-la para a Terra por meio da interação com planetas e embriões planetários durante a formação do Sistema Solar.
A hipótese foi confirmada nos últimos anos por observações de asteroides feitas a partir da Terra e de meteoritos (pedaços de asteroides) que entraram na atmosfera terrestre.
Outras possíveis fontes de água da Terra, também propostas nos últimos anos, são grãos de silicato (poeira) da nebulosa solar (nuvem de gás e poeira do cosmos relacionada diretamente com a origem do Sistema Solar), que encapsularam moléculas de água durante o estágio inicial de formação do Sistema Solar.
Essa “nova” fonte, no entanto, ainda não tinha sido validada e incluída nos modelos de distribuição de água por meio de corpos celestes primordiais, como os asteroides e os cometas.
“Incluímos esses grãos de silicato da nebulosa solar, com os cometas e asteroides, no modelo que desenvolvemos e avaliamos qual a contribuição de cada uma dessas fontes para a quantidade de água que chegou à Terra”, detalhou Winter.
Simulações computacionais
Segundo Winter, a água de cada uma dessas possíveis fontes para a Terra possui uma quantidade diferente de deutério – que pode ser utilizado como um indicador de origem da água.
O pesquisador e seus colaboradores conseguiram estimar a contribuição de cada um desses objetos celestes com base nesse “certificado de origem” da água encontrada na Terra, por meio de simulações computacionais. Além disso, conseguiram determinar qual o volume de água que cada uma dessas fontes forneceu e em que momento fizeram isso durante a formação do planeta terrestre, uma vez que a contribuição de cada uma delas foi feita em períodos diferentes.
“A maior parte veio dos asteroides, que deram uma contribuição de mais de 50%. Uma pequena parcela veio da nebulosa solar, com 20% de participação, e os 30% restantes dos cometas”, detalhou Winter.
Os resultados das simulações feitas pelos pesquisadores também indicaram que grandes planetas, com grandes quantidades de água, como a Terra, podem ter sido formados entre 0,5 e 1,5 unidade astronômica – entre 75 milhões e 225 milhões de quilômetros de distância do Sol.
“Essa faixa de distância do Sol, que nós chamamos de ‘zona habitável’, permite ter água no estado líquido”, disse Winter. “Fora dessa região é muito frio e a água ficaria congelada. Já mais próximo do Sol é muito quente e a água seria vaporizada”, explicou.
As simulações também sugeriram que o modelo desenvolvido parece mais eficiente para determinar a quantidade e o momento da entrega de água para a Terra por esses corpos planetários do que modelos que indicam que a água foi transferida meramente por meio de meras colisões entre corpos celestes em início de formação (protoplanetários), afirmou Winter.
“As informações parciais da possível contribuição de cada uma dessas fontes já existiam. Mas, até então, não tinham sido reunidas em um único modelo e não havia sido determinado quando e quanto contribuíram para a formação da massa de água na Terra”, disse.
Importância de corpos menores
Winter destacou em sua palestra na Inglaterra a importância da exploração de corpos menores, como asteroides e cometas, pelas missões espaciais. A última missão espacial para a exploração de asteroides, realizada pela agência espacial japonesa (Jaxa, na sigla em inglês) com a sonda Hayabusa para tirar amostras do asteroide Itokawa, resultou em diversos artigos em revistas como a Science e a Nature.
O país oriental planeja lançar este ano a sonda espacial Hayabusa-2, para extrair amostras do subsolo do asteroide “1999JU3” em 2018 e trazê-las para a Terra em 2020.

Por sua vez a agência espacial europeia (ESA) mantém no espaço a sonda Rosetta, que deve ser o primeiro objeto a pousar em um cometa, o 67P/Churyumov-Gerasimenko. E a Nasa também pretende realizar uma missão para captura de asteroide próximo da Terra.
Já o Brasil pretende desenvolver e lançar em 2017 a sonda espacial Áster, para orbitar em 2019 um asteroide triplo, o 2001-SN263, formado por um objeto central, com 2,8 quilômetros de diâmetro, e outros dois menores com 1,1 quilômetro e 400 metros de diâmetro.
“Nunca foi realizada uma missão para um sistema de asteroides desse tipo”, disse Winter. “Todas as missões foram feitas para observar um único asteroide”, afirmou.
Ao explorar asteroides e cometas, em missões como essas, é possível explicar melhor as condições de formação da Terra e a aparição da vida no planeta, explicou o pesquisador.
“Como são corpos celestes primordiais, os cometas e os asteroidespreservam informações sobre como era o Sistema Solar durante seu estágio de formação”, disse Winter.
Um dos desafios para disponibilizar esses preciosos materiais geológicos para estudos científicos, contudo, é não apenas coletar, mas realizar uma curadoria cuidadosa das amostras, assegurando a gravação e o arquivamento de diversas informações relacionados a cada uma das espécimes, tais como as circunstâncias nas quais foram coletadas e os resultados de análises, destacou Caroline Smith, curadora da coleção de meteoritos do Museu de História Natural de Londres, na palestra que proferiu após Winter.
De acordo com Smith, os meteoritos começaram a ser estudados cientificamente no final do século XVIII por cientistas como o físico alemão Ernest Chladni (1756-1827).
O Museu Britânico começou a sua coleção de meteoritos 50 anos após ser fundado, em 1753, contou Smith.
Desde então, com as amostras colhidas por missões realizadas por agências espaciais de diversos países, as coleções de instituições, como a do Museu de História Natural de Londres, têm se expandido muito rapidamente.
“Em 1961 havia, aproximadamente, 2.100 meteoritos conhecidos, dos quais 40% possuíam o registro do momento e do lugar onde caíram”, disse Smith. “Em contrapartida, hoje, há 48 mil meteoritos conhecidos e apenas 2,4% têm o registro da queda”, contou Smith.
O número cada vez maior de amostras de meteoritos coletadas e os estudos científicos realizados a partir deles têm imposto grandes desafios às equipes de curadoria desses objetos dos museus, avaliou a pesquisadora.
“Alguns dos nossos atuais dilemas é manter o acesso à coleção e, ao mesmo tempo, preservar os meteoritos para as futuras gerações”, afirmou.
O artigo A compound model for the origin of Earths’s water (doi:10.1088/0004-637X/767/1/54), de Winter e outros, pode ser lido no The Astrophysical Journal emiopscience.iop.org/0004-637X/767/1/54/article

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Cientistas avaliam novos materiais para enxertos ósseos

Por Valéria Dias - valdias@usp.br
Estudo realizado no programa de Pós-Graduação Interunidades em Bioengenharia da USP traz contribuições para o aperfeiçoamento dos enxertos ósseos. O médico ortopedista Helton Hiroshi Hirata analisou se as matrizes de colágeno extraído das membranas que revestem o coração (pericárdio) e o intestino (serosa) bovinos poderia ser utilizada como enxerto ósseo.
Os resultados da pesquisa realizada em animais indicaram que houve biocompatibilidade das matrizes, ou seja, não houve rejeição; entretanto, não foi verificada a osteointegração do material e a regeneração óssea foi insuficiente na matriz pesquisada. “Percebemos que o osso dos animais cresceu com os enxertos, mas não o suficiente para considerar que houve uma osteointegração satisfatória”, diz Hirata.
O ortopedista explica que, atualmente, os materiais utilizados para a realização dos enxertos são a base de hidroxiapatita e apresentam custo mais elevado. “Por isso, existe a necessidade de realizar pesquisas que busquem materiais alternativos. E um dos materiais utilizados nesses estudos é o pericárdio e a serosa de intestino bovino por serem ricos em colágeno [90% da constituição orgânica do osso é de colágeno] e também pela grande disponibilidade desses animais no Brasil devido à pecuária.”
As matrizes de colágeno foram desenvolvidas no Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da USP, pelas professoras Ana Maria de Guzzi Plepis e Virgínia da Conceição Amaro Martins. O material foi quimicamente modificado, até se transformar em um substrato, com textura semelhante a de uma esponja, porém mais firme.

Testes
No estudo foram utilizadas 30 ratas, com 3 meses de idade e peso médio de 300 gramas. Metade foi submetida a falha óssea circular no osso parietal esquerdo. Na outra metade, foi feita a retirada dos ovários e, após 4 meses, os animais foram submetidos a mesma falha craniana. “A ideia do projeto era simular um ambiente ósseo patológico, a osteoporose, e verificar a viabilidade do enxerto sintético biológico em substituição ao auto enxerto. Para tanto, foi realizada a retirada dos ovários das ratas levando à diminuição do estrógeno e provocando a osteoporose.”
Tanto as ratas ovarioectomizadas como as sadias foram separadas em 3 grupos, para a aplicação de 3 tratamentos distintos: sem uso das matrizes de colágeno; uso das matrizes de colágeno derivadas do pericárdio; e uso das matrizes de colágeno derivadas da serosa do intestino.
Após 8 semanas da cirurgia craniana, os animais foram eutanaziados e as calotas cranianas passaram por avaliação macro e microscópica, radiológica e histomorfométrica, para verificar a presença de alguma alteração patológica ou qualquer outra condição anormal que pudesse sugerir rejeição às matrizes utilizadas.
Resultados
Entre outros resultados, estão: apesar de pequeno, o crescimento ósseo na presença das matrizes de colágeno foi 3 vezes maior nas ratas sadias (não ovariectomizadas) e 5 vezes maior nas ratas ovariectomizadas, em comparação com as ratas sem matrizes. Não houve diferença quanto à capacidade osteogênica (formação de ossos) entre as matrizes estudadas. “Com isso, concluímos que apesar da insatisfatória capacidade osteogênica, as matrizes demonstraram biocompatibilidade”, conclui o médico.
A pesquisa de mestrado Viabilidade das matrizes de colágeno derivadas do pericárdio e da serosa de intestino bovino no reparo dos defeitos cranianos em ratas ovarioectomizadas foi apresentada no último dia 13 de dezembro sob a orientação do professor Marcelo Rodrigues da Cunha, do Programa de  Pós-Graduação Interunidades Bioengenharia.
O Programa envolve a Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), o Instituto de Química de São Carlos (IQSC) e a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP).
Foto: Wikimedia

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Modelo matemático ajuda gestores da área de transportes

Da Assessoria de Imprensa da FEARP




Definir o tipo de transporte de carga (rodoviário, hidroviário, ferroviário ou aéreo) mais adequado à realidade de cada região pode reduzir gastos, tempo de viagem e impacto ao meio ambiente. Para dar respostas a essa questão, pesquisadores da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEARP) da USP desenvolveram modelo matemático capaz de fornecer informações que auxiliam a tomada de decisão de gestores públicos quanto à escolha do transporte a ser adotado em determinada região.

Segundo os pesquisadores, hoje os investimentos em infraestrutura de transportes brasileiros são guiados “pelas chamadas metodologias de análise unidimensional”. Esses métodos avaliam, separadamente, o custo de investimento de determinado projeto, comparando-o a seus possíveis retornos financeiros ou aos impactos ambientais.
A proposta foi apresentada na dissertação de mestrado Proposta de modelo para priorização de investimentos em infraestrutura de transporte de cargas: abordagem multicritério para problemas de fluxos em rede, desenvolvida por Samir Kazan, no Programa de Pós-Graduação em Administração de Organizações da FEARP, sob a orientação do professor Marcio Mattos Borges de Oliveira.
O modelo proposto por Kazan, testado na região Norte do Brasil, inova ao permitir avaliar diferentes variáveis com uma única ferramenta. Não apenas contempla aspectos monetários e ambientais, mas permite identificar a melhor combinação de projetos em infraestrutura de transporte para alcançar o melhor resultado no sistema de transportes. No Norte, por exemplo, a melhor relação custo benefício em transporte de carga seria obtida com os modais hidroviário e ferroviário.
A ferramenta contempla e avalia aspectos como custo do frete, do investimento, tempo de viagem, nível de emissão de dióxido de carbono (CO2), impacto em área de desmatamento e até o número de interseções dos projetos em análise com áreas de proteção ambiental. Assim, o gestor terá em mãos dados que indicarão quais projetos de infraestrutura devem ser implantados para resolver os problemas enfrentados pelo sistema de transportes de sua região. Isso, considerando ainda o fluxo de produtos e suas restrições, no que se refere a recursos, para implantação.
Transporte rodoviário é o menos indicado para a região Norte
A região Norte do Brasil foi escolhida para os testes com a nova ferramenta. Para tanto, os pesquisadores usaram dados do Plano Nacional de Logística e Transportes e os projetos de investimentos que deveriam ser priorizados para esta região.
Os resultados, segundo Kazan, mostraram que o modelo matemático da FEARP se mostrou “muito mais consistente do que a habitual análise unidimensional tradicional”. O pesquisador conta que conseguiram identificar no modelo potencialidade para soluções inexistente no método atual.
Kazan explica que testaram 20 versões do modelo matemático até obter a mais adequada. Para cada uma delas, foram utilizados cenários diferentes no que se refere à disponibilidade de recursos para implantação e aos pesos dos critérios de avaliação propostos. Testaram, por exemplo, o custo do frete em detrimento do tempo de viagem ou da relevância dos impactos ambientais, quando da implantação dos projetos.
Como resposta à aplicação desse modelo, os pesquisadores encontraram que, para a região Norte, os modais hidroviário e ferroviário são mais indicados quando se deseja reduzir custos com frete, nível de emissão de CO2 e área de desmatamento. Já o rodoviário traz melhores resultados em relação ao tempo de viagem.
De modo geral, entretanto, o estudo aponta no sentido da redução da importância do transporte rodoviário na região Norte. “Essa atual concentração no modal rodoviário diminui não necessariamente com a redução do fluxo de produtos pelo modal rodoviário, mas com o crescimento no volume transportado pelos demais modais”, explica o pesquisador.
Apesar dos estudos terem sido realizados com base no contexto da região Norte, a ferramenta pode ser utilizada para avaliar qual a melhor alternativa para o transporte de cargas em qualquer região do Brasil.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Estimulação cerebral pode ser alternativa a antidepressivos

Por Hérika Dias - herikadias@usp.br



Buscar um tratamento para o Transtorno Depressivo Maior (TDM), conhecido como depressão, sem uso de remédios. Esse é o objetivo de cientistas da USP que pretendem comparar se a Estimulação Transcraniana por Corrente Contínua (ETCC) e os antidepressivos têm efeitos semelhantes. A ETCC é uma técnica de estimulação cerebral não invasiva. Consiste na aplicação de uma corrente elétrica contínua de baixa intensidade no córtex cerebral, por meio de eletrodos implantados na cabeça, para aumentar a atividade elétrica de áreas do cérebro que são mais baixas em pessoas com depressão.
A pesquisa Escitalopram e estimulação transcraniana por corrente contínua no transtorno depressivo maior, que tem financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), é desenvolvida no Hospital Universitário (HU) da USP e envolve o Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e o Instituto de Psicologia (IP) também da USP.
Se a eficácia da ETCC for similar ao antidepressivo, poderá ser adotada como nova terapia. “Isso poderia trazer um impacto importante nos tratamentos clínicos, pois a estimulação transcraniana é uma alternativa segura e eficaz. Ela atua apenas na áreas cerebrais relacionadas à depressão, como o córtex dorso-lateral pré-frontal esquerdo. Ao contrário do medicamento, que age não só no local necessário como também em todo o corpo, aumentando as chances de efeitos colaterais”, explica Andre Russowsky Brunoni, médico psiquiatra e coordenador do Serviço de Neuromodelação do do Instituto de Psiquiatria do HC e do HU.
Outra vantagem da ETCC, apontada pelo médico, é o fato de ser uma técnica barata, de fácil uso e portátil. E para comparar a eficiência da estimulação com corrente elétrica, será utilizado o antidepressivo escitolopram. “Trata-se de um medicamento de última geração no tratamento contra a depressão disponível hoje no mercado”, afirma Brunoni.
De acordo com o estudo, a depressão é um quadro psiquiátrico comum, com uma prevalência de cerca de 15% ao longo da vida e uma incidência de cerca de 5% ao ano. Ela atinge duas a três vezes mais mulheres do que homens e, na maioria dos casos, se inicia a partir da terceira década de vida. Seus principais sintomas incluem perda de interesse e prazer nas atividades habituais, humor deprimido e pensamentos de culpa e menos valia.
Voluntários
Para a confirmação dos resultados do estudo, os pesquisadores estão recrutando pacientes com depressão. É necessário atender alguns requisitos, como ter entre 18 e 75 anos, apresentar depressão com sintomas (moderada a grave), não utilizar, no momento, o antidepressivo escitalopram e ter disponibilidade para comparecer no Hospital Universitário (HU) da USP por 15 dias consecutivos, excluindo finais de semana.
Os interessados podem encaminhar um e-mail parapesquisacientificahu@gmail.com ou pesquisa.depressao@gmail.com ou ainda se inscrever no site www.cinausp.org/pesquisa.
De acordo com Brunoni, os voluntários serão divididos em dois grupos: um receberá tratamento apenas com o antidepressivo escitalopram e o outro a estimulação transcraniana. Ele destaca que, desde 2009, a técnica tem sido tema de estudos no HU.  ”Apesar de algumas pesquisas piloto mostraram que a ETCC diminui a intensidade dos sintomas depressivos, estudos com populações maiores são necessários para permitir a generalização destes resultados e verificar a eficácia desta intervenção.”

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Consórcios internacionais buscam astrônomos e financiamento brasileiro

Agência FAPESP – A produção científica brasileira na área de astronomia tem crescido nos últimos anos. O número de artigos científicos publicados anualmente subiu de 150, em 1995, para 230 em 2010. Segundo pesquisadores da área, parte desse incremento na produção científica se deve à participação do Brasil em consórcios internacionais que garantem o acesso a instrumentos de observação competitivos.
As principais iniciativas nesse sentido foram a participação em observatórios como o Gemini, cujas operações iniciaram em 2004 com dois telescópios “gêmeos”, um nos Andes chilenos e outro no Havaí, e o Southern Observatory for Astrophysical Research (SOAR, na sigla em inglês), inaugurado nos Andes em 2005.
O Brasil conta com 6% de participação nas observações do Gemini, cujos telescópios têm espelhos principais com 8,1 metros de diâmetro. No SOAR, com espelho de 4,2 metros de diâmetro, a participação brasileira é de 30%. A participação de pesquisadores brasileiros nos dois observatórios se dá com financiamento da FAPESP e de outras agências de fomento à pesquisa no país.
“O aumento no número de artigos publicados por astrônomos brasileiros nos últimos anos tem relação absolutamente direta com a participação no Gemini e no SOAR”, disse João Steiner, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo (USP), à Agência FAPESP.
“Estávamos estagnados por quase uma década em termos de publicação de artigos científicos e de formação de mestres e doutores na área e, quando o Gemini e o SOAR entraram em operação, esses dois indicadores cresceram em um ritmo bastante expressivo”, afirmou.
Atualmente a comunidade de pesquisa da área está sendo convidada para participar e para ajudar a financiar dois dos maiores projetos de construção de megatelescópios em andamento no mundo: o Giant Magellan Telescope (GMT), projetado por um consórcio de instituições dos Estados Unidos, Austrália e Coreia do Sul, e o European Extremely Large Telescope (E-ELT), planejado pelo Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês).
Ambos também serão construídos no Chile em razão de o céu do Hemisfério Sul ser considerado muito mais rico, em termos de possibilidades de observações astronômicas, do que o do Hemisfério Norte, além de haver disponibilidade de lugares adequados para fazer observações, como a cordilheira dos Andes, no norte do Chile.
Com início da construção previsto para julho de 2014 em Cerro Las Campanas, o GMT será composto por sete espelhos segmentados redondos, com 8,4 metros de diâmetro cada um, que – reunidos como as pétalas de uma flor em torno de seu botão central – formarão uma superfície óptica com uma abertura de 24 metros de diâmetro. O GMT está previsto para entrar em operação em 2019.
O projeto está orçado em US$ 690 milhões (cerca de R$ 1,6 bilhão), com previsão de aumento de US$ 30 milhões a cada ano que o início da construção for adiado. Por isso, os idealizadores têm pressa em obter a aprovação de instituições que já manifestaram interesse em participar do projeto. Entre elas estão as universidades do Arizona, do Texas, de Chicago, e Texas A&M – todas nos Estados Unidos – e da Universidade Nacional da Austrália (ANU).
Também já confirmaram interesse no projeto o Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian e o Instituto Carnegie para Ciência, ambos dos Estados Unidos, além do Instituto de Ciências Astronômicas e Espaciais da Coreia do Sul e do Astronomy Australia Limited (AAL).
“O desafio mais urgente e crítico para o GMT hoje é obter financiamento para a fase de construção”, contou Wendy Freedman, presidente do consórcio, durante um workshop sobre o projeto, realizado nos dias 13 e 14 de novembro, na sede da FAPESP, em São Paulo.
O evento faz parte de um processo de avaliação pela FAPESP de uma solicitação de financiamento para apoiar a participação no GMT feita por pesquisadores de universidades e instituições de pesquisa no Estado de São Paulo. Para a análise da proposta, após a obtenção de pareceres de assessoria, ficou clara a necessidade de se aferir o interesse da comunidade de pesquisa paulista na área, bem como o potencial para o envolvimento de empresas do Estado.
Pela proposta, a FAPESP teria 4% de participação no projeto, o que asseguraria aos pesquisadores de São Paulo um tempo cativo de observação no telescópio também de 4% por ano. O financiamento solicitado à FAPESP é de US$ 40 milhões.
Os astrônomos de São Paulo também teriam assento no conselho do consórcio, direito a voto nas decisões sobre o projeto e poderiam participar da construção do telescópio – que inclui desde a construção de partes do telescópio, como o domo, que terá cerca de 4 mil toneladas de aço, até o desenvolvimento de instrumentação científica.
No início de novembro, engenheiros do GMT realizaram um “Dia da Indústria”, na FAPESP, para apresentar às empresas brasileiras potenciais fornecedoras de equipamentos e prestadoras de serviços as possibilidades de participação na construção do telescópio.
“Não temos dúvida da importância científica do GMT. Mas temos que ter claro o papel que será desempenhado por pesquisadores do Estado de São Paulo e saber exatamente quais as garantias e riscos, além de quais dados e tecnologias poderão ser criados por meio desse projeto internacional”, disse Hernan Chaimovich, assessor especial da Diretoria Científica da FAPESP, na abertura do segundo evento, no dia 13 de novembro.
Adesão do Brasil ao ESO
O ESO, por sua vez, há alguns anos empenha esforços para que o governo do Brasil ratifique sua adesão ao consórcio astronômico europeu e participe da construção do megatelescópio E-ELT e de outros projetos da instituição.
Com o início da construção também previsto para 2014, o telescópio situado em uma montanha na região de Cerro Armazones, no Chile, e com um espelho com 39 metros de diâmetro, deverá ser o maior entre os chamados de “extremamente grandes” (ELT, ou “extremely large telescopes”). A conclusão da obra está prevista para 2023.
O espelho principal deverá ser composto por cerca de 800 segmentos hexagonais, com 1 metro cada, que formarão uma colmeia de espelhos com capacidade de capturar 15 vezes mais luz do que o maior telescópio em operação hoje, o Gran Telescopio Canarias, situado nas Ilhas Canárias, com 10,4 metros de diâmetro.
Para participar da construção do telescópio, no entanto, o Brasil precisa ratificar sua adesão ao consórcio astronômico europeu, que está em avaliação no Congresso Nacional.
“Ao aderir ao ESO, o Brasil tem a oportunidade de se juntar a um programa de pesquisa astronômica de longa duração que talvez seja o melhor existente hoje no mundo e no qual engenheiros, astrônomos e empresas de alta tecnologia têm a chance de trabalhar juntos”, disse o holandês Tim de Zeeuw, diretor geral da organização astronômica europeia, à Agência FAPESP, durante visita realizada por um grupo de jornalistas brasileiros às instalações do ESO no Chile, no início de novembro, a convite da organização.
Apesar de ainda não ter se credenciado oficialmente, o Brasil já é tratado e citado como membro oficial em diversos materiais de divulgação do consórcio astronômico europeu – como, por exemplo, em sua página na internet – e há diversas referências ao país nas instalações do ESO no Chile.
A bandeira brasileira, por exemplo, está hasteada ao lado das flâmulas dos 14 países europeus que já são membros oficiais do consórcio, na portaria do observatório do ESO em Cerro Paranal – uma montanha com 2,6 mil metros de altitude, localizada no deserto do Atacama, nas proximidades de Cerro Armazones.
A paisagem é tão semelhante a Marte que, na primeira semana de outubro, a Agência Espacial Europeia (ESA) realizou, próximo ao observatório, um teste com um robô – chamado Bridget – para uma futura missão exploratória ao planeta vermelho.
O país também é mencionado em um local bem menos visível do observatório: um túnel subterrâneo com as cores verde e amarela, localizado no Centro de Controle do telescópio Very Large Telescope (VLT), batizado de “Avenida Brasil”, em alusão ao nome de uma telenovela brasileira exibida atualmente no Chile.
Os astrônomos brasileiros têm realizado observações de forma esporádica nos telescópios do consórcio europeu. “As propostas de pedido de tempo de observação no VLT do Brasil não têm sido constantes. Do total de quase mil propostas que recebemos por ano, só 2% são de colegas brasileiros”, contou Claudio de Figueiredo Melo, potiguar que está no ESO no Chile desde 2003 e que em abril foi nomeado a um dos cargos mais importantes na hierarquia do consórcio de pesquisa astronômica: o de diretor científico.
A fim de tentar acelerar a integração da comunidade científica de astrônomos brasileiros com o ESO, em agosto, Melo e o paulista Dimitri Alexei Gadotti – que realizou doutorado e pós-doutorado com Bolsa da FAPESP e integra a equipe permanente de astrônomos do consórcio – visitaram algumas universidades e instituições de pesquisa no Brasil para apresentar as possibilidades de pesquisa nos telescópios do observatório chileno e explicar como devem ser formatadas as propostas de pedido de tempo de observação.
O ESO também realizou em 2011 e este ano o “Dia da Indústria”, com o objetivo de apresentar a empresas brasileiras oportunidades de desenvolvimento de instrumentação científica para os telescópios. E, recentemente, aprovou um projeto para o desenvolvimento do primeiro instrumento brasileiro para ser integrado a um dos telescópios do VLT de Cerro Paranal.
O instrumento, denominado Cubes, está sendo construído por pesquisadores do IAG, da USP, em colaboração com colegas do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), em Minas Gerais.
Cubes é a sigla em inglês de Cassegrain U-band Brazilian-ESO Spectrograph e consiste em um espectrógrafo de baixa a média resolução, especializado em observações em comprimento de onda no ultravioleta, que será voltado a estudos sobre a composição química das galáxias. O projeto é financiado, inicialmente, pelo próprio LNA e pelo IAG.
Atualmente, os pesquisadores brasileiros envolvidos no projeto fazem ajustes no equipamento, em colaboração com engenheiros do ESO, para aumentar seu desempenho e inserir alguns componentes.
“O projeto está caminhando muito bem e vamos apresentá-lo nessa segunda etapa, de implementação, em diversas conferências com a participação de astrônomos e engenheiros do ESO que devem ocorrer nos próximos meses”, disse Beatriz Barbuy, professora do IAG e coordenadora do projeto.
A inserção do equipamento em um dos telescópios do ESO, no entanto, dependerá da ratificação do Brasil como membro efetivo do consórcio europeu de pesquisa astronômica.
Caso o Brasil não confirme sua integração ao ESO, o projeto do espectrógrafo poderá ser descartado ou transferido para um dos 14 países europeus membros do consórcio de pesquisa astronômica, disseram representantes do ESO. “No dia em que a adesão do Brasil for ratificada, o projeto de desenvolvimento do Cubes avançará”, disse Melo.
Experiência brasileira
Tanto no caso do desenvolvimento do Cubes como na construção de instrumentação científica para o GMT, a ideia é aproveitar a experiência brasileira nessa área, acumulada pela participação de pesquisadores de universidades do Estado de São Paulo com instituições de pesquisa do país, no desenvolvimento de equipamentos para telescópios.
Por meio de projetos apoiados pela FAPESP, grupos de pesquisadores do IAG, em parceria com instituições de pesquisa do país, desenvolveram um espectrógrafo de alta resolução e umimageador para o SOAR, entre outros instrumentos científicos.
“O SOAR nos permitiu iniciar o desenvolvimento de instrumentação científica de classe mundial para telescópios”, disse Steiner. “Se queremos, no futuro, estar na fronteira do conhecimento em astronomia, temos que participar tanto do uso como do desenvolvimento de instrumentação científica para esses novos telescópios.”