Blog destinado a graduandos, mestrandos,doutorandos e demais envolvidos com a produção científica e técnica
terça-feira, 28 de abril de 2015
sexta-feira, 24 de abril de 2015
Influência Da Cultura No Comportamento Alimentar De Gestantes: Contribuições Para Enfermagem
Resumo da autora
As escolhas alimentares humanas estão associadas a diversas influências de ordem social, cultural e histórica, além do campo biológico. As influências culturais indicam os alimentos aceitos e os alimentos proibidos e traduzem os significados e os modos de vida de um grupo em particular. Para as gestantes, que vivenciam um período de constantes transformações e readaptações, o cenário social em que vivem e a história cultural sinalizam quais saberes e práticas alimentares estão de acordo para a manutenção da saúde. Este estudo teve como objetivo apreender as influências culturais no comportamento alimentar de gestantes. Para tanto, optou-se pela pesquisa de campo, com abordagem qualitativa e vertente etnográfica. O método da etnoenfermagem, por meio da observação participante e da entrevista, possibilitou a identificação e a compreensão de significados, crenças e hábitos que determinam o comportamento alimentar das gestantes. Participaram do estudo três gestantes com idade gestacional inferior a 30 semanas, moradoras da região norte de Santa Maria, Rio Grande do Sul, e assistidas pela enfermeira durante o pré-natal. O cenário do estudo contemplou o consultório de enfermagem e o domicílio das gestantes. A coleta de dados ocorreu de março a maio de 2010, após aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Santa Maria. Como resultados foram constituídas três categorias: “dos saberes aos sabores: as práticas alimentares das gestantes”; “entre desejos e possibilidades: as adaptações alimentares durante o período gestacional”; e “o aumento de peso gestacional: um olhar sobre a doença, um olhar sobre a vaidade”.
Evidenciou-se que o comportamento alimentar das gestantes está imbricado a múltiplos significados culturais. A memória, as tradições, as relações sociais e familiares, a mídia e as noções de saúde, doença e estética representam os núcleos centrais para as conformações alimentares. O enfermeiro que realiza o cuidado pré-natal, ao atentar para a cultura das mulheres e de suas famílias, vislumbra a motivação das escolhas alimentares e pode, dessa forma, reorientar ou preservar o consumo de determinados alimentos, além de identificar e prevenir possíveis riscos nutricionais. Ao valorizar as práticas alimentares e os significados atribuídos aos alimentos, o enfermeiro aproxima, estrategicamente, os saberes profissionais aos saberes populares, incidindo num cuidado cultural à gestante. Texto completo: Influência Da Cultura No Comportamento Alimentar De Gestantes: Contribuições Para Enfermagem
segunda-feira, 6 de abril de 2015
Estudo traz dados inéditos para restauração de florestas
Resumo da autora:
A restauração ecológica, ao buscar a manutenção de processos ecológicos e serviços ecossistêmicos, vem exercendo um importante papel na recuperação de ecossistemas degradados e conservação da biodiversidade. Restabelecer as interações entre organismos pode, contudo, ser uma tarefa mais árdua em ambientes de alta diversidade com complexas relações ecológicas como as florestas tropicais. Neste trabalho, investigamos a resposta dos insetos visitantes florais à restauração por plantio de mudas de espécies de Floresta Estacional Semidecidual, uma vez que o restabelecimento do processo de polinização é imprescindível para a perpetuação da floresta implantada. Para isso, foram examinados diferentes aspectos das comunidades de plantas e visitantes florais em seis áreas em processo de restauração. Primeiramente, buscouse analisar a estrutura da comunidade de visitantes florais e seus padrões de visita às flores, avaliandose também se a proximidade de fragmentos de vegetação nativa é importante na determinação da estrutura destas comunidades. Além disso, investigamos as espécies vegetais que florescem nos estágios iniciais de restauração para verificarmos se a comunidade de plantas se restabelecendo em cada local é importante na determinação da comunidade de visitantes. Por fim, avaliamos o restabelecimento do processo de polinização ao averiguar o transporte de pólen ocorrendo nas áreas restauradas e ao examinar a robustez das redes formadas frente à extinção simulada de espécies. Todas as áreas analisadas apresentaram redes de interação plantavisitante floral com estrutura e atributos comuns a outras redes mutualísticas de polinização, indicando que o processo deve estar se restabelecendo. A diferença na composição de espécies de visitantes não resultou em diferenças nos atributos das redes e a distância das áreas restauradas a fragmentos de vegetação nativa não influenciou a composição da comunidade de visitantes. Por outro lado, a vegetação regenerante composta por espécies ruderais aumentou a diversidade de visitantes e também a complexidade das redes de interação planta visitante floral, afetando a composição e provavelmente o funcionamento das comunidades. Embora tanto as redes de visitação quanto as de transporte de pólen revelem comunidades funcionalmente complexas com um número relativamente diverso de interações entre plantas e potenciais polinizadores, os dados de visitação demonstraram que nem todas as áreas possuem o mesmo padrão de resposta à extinção simulada de espécies. A presença massiva de gramíneas é provavelmente um fator determinante da robustez destas redes já que ela dificulta a regeneração natural das espécies ruderais que contribuem para o maior aporte de recursos florais para os insetos visitantes. Este trabalho demonstra a importância de se avaliar a recuperação dos aspectos funcionais de ecossistemas restaurados e tem implicações práticas para o manejo de áreas restauradas onde houver preocupação particular com a recuperação das interações plantapolinizador. Enfatizamos a importância do monitoramento constante de áreas restauradas para melhor entendermos as trajetórias de recuperação das florestas tropicais e recomendamos estudos multidisciplinares que integrem diversas áreas de conhecimento para aperfeiçoarmos as ações de restauração
acesso a Tese de Fragoso, Fabiana Palmeira
segunda-feira, 16 de março de 2015
Mudança de uso da terra e impacto na matéria orgânica do solo em dois locais no Leste da Amazônia
Diana Signon Deon
Mudanças de uso da terra afetam a dinâmica da
matéria orgânica e o acúmulo de C e N no solo e estão associadas a emissões de
gases de efeito estufa (GEEs). A região Amazônica é relevante para as emissões
brasileiras de GEEs oriundas das mudanças de uso da terra. O objetivo deste
trabalho foi determinar alterações quantitativas e qualitativas nos estoques de
C e N no solo em função de mudanças de uso da terra em Santarém-PA e São
Luís-MA. Foram coletadas amostras de solo sob diferentes usos da terra: vegetação
nativa, vegetação secundária, pastagem degradada, pastagem melhorada e
agricultura anual. Adicionalmente, foram avaliadas áreas de mata queimada em
Santarém-PA e de fruticultura e horticultura em São Luís-MA. Houve diferenças
entre os solos de vegetação nativa nos dois locais, apesar dos estoques de C e
N terem sido similares. Em Santarém, fósforo e granulometria relacionaram-se
aos estoques de C e N.
Em São Luís a acidez potencial ajudou a estimar o
estoque de C; granulometria e capacidade total de troca de cátions estimaram o
estoque de N. Os estoques de C e N na vegetação secundária foram similares aos
da vegetação nativa nos dois locais e relacionaram-se com a acidez potencial do
solo. Em Santarém o estoque de C (0-30 cm) na pastagem melhorada foi maior que
na vegetação nativa. Em São Luís, o estoque de C foi semelhante ao da vegetação
nativa. Os estoques de N tiveram comportamento similar aos estoques de C. Na
pastagem melhorada de Santarém a soma de bases foi importante para estimar os
estoques de C e N; em São Luís houve efeito negativo da densidade do solo.
Estoques de C e N nas pastagens degradadas foram semelhantes à vegetação
nativa, mas foram influenciados por parâmetros diferentes. Áreas de agricultura
anual apresentaram estoques de C inferiores aos das pastagens melhoradas e da
vegetação nativa e a sua manutenção relaciona-se com a redução da acidez
potencial e com o aumento das bases trocáveis. A qualidade da matéria orgânica
do solo foi avaliada nas amostras de São Luís. A mudança de uso da terra
reduziu o C na fração orgânica (75-2000 ?m), mas os usos mais conservacionistas
aumentaram o C nas formas estáveis (< 53 ?m). Vegetação secundária e
pastagem recuperada apresentaram índice de manejo de C semelhantes aos da
vegetação nativa. A conversão de vegetação nativa para agricultura ou pastagem
reduziu o C na biomassa microbiana, mas os sistemas com grande aporte de
material orgânico e com reduzida mobilização do solo apresentaram teor de C
microbiano similar à vegetação nativa. Pastagem e agricultura também
apresentaram os menores quocientes microbianos, indicando condição de estresse
da biomassa microbiana.
Texto completo:
quarta-feira, 11 de março de 2015
Primeiro centro de pesquisa no Brasil no modelo "open science" é lançado
Por Karina Toledo
Agência FAPESP – Identificar no genoma humano proteínas-chave para o desenvolvimento de novos medicamentos e descobrir como tornar plantas importantes para a agricultura mais resistentes à seca são os objetivos do recém-criado Centro de Biologia Química de Proteínas Quinases da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), cuja apresentação oficial ocorreu nesta terça-feira (10/03).
Apoiado pela FAPESP por meio do Programa Parceria para Inovação Tecnológica (PITE), o centro funcionará em um modelo de open science (acesso aberto ao conhecimento), integrando a rede do Structural Genomics Consortium (SGC), uma parceria público-privada que reúne cientistas, indústrias farmacêuticas e entidades sem fins lucrativos de apoio à pesquisa.
“O SGC mantém outros dois centros sediados na Universidade de Oxford (Inglaterra) e na Universidade de Toronto (Canadá), ambos dedicados a estudar proteínas de importância biomédica. Aqui na Unicamp pretendemos, além de avançar nessa área, aproveitar o conhecimento e a tecnologia desenvolvida em parceria com a indústria farmacêutica para aprender também sobre biologia de plantas”, disse Paulo Arruda, professor de genética no Instituto de Biologia da Unicamp e coordenador da nova unidade brasileira.
Diante de um cenário de mudanças climáticas, no qual os eventos extremos devem se tornar mais frequentes, a meta é descobrir como aumentar a produção agrícola e, ao mesmo tempo, reduzir o consumo de água.
Para isso, as pesquisas terão como alvo um grupo de enzimas conhecidas como quinases que, por serem responsáveis por regular importantes processos tanto no organismo humano como em plantas – entre eles divisão, proliferação e diferenciação celular –, são consideradas potenciais alvos para o desenvolvimento de drogas.
O acordo assinado na terça-feira em São Paulo prevê um aporte de US$ 4,3 milhões da FAPESP, além de US$ 1,9 milhão da Unicamp e outros US$ 1,3 milhão do SGC. Os resultados das pesquisas estarão disponíveis à comunidade científica mundial, sem o obstáculo imposto por patentes ou qualquer outro acordo de propriedade intelectual, como já ocorre nos outros dois centros de pesquisa do SGC.
De acordo com Arruda, as atividades do novo centro devem ter início em julho. A estrutura prevista para os primeiros cinco anos deve englobar entre 25 e 30 pesquisadores. “Mas sabemos que iniciativas como essas atraem bons estudantes e pós doutorandos, então pode até se tornar maior. Qualquer interessado em estudar o assunto, de qualquer instituição, poderá se juntar ao grupo”, disse.
Ao abrir a cerimônia de assinatura do acordo, o presidente da FAPESP, Celso Lafer, classificou a iniciativa como um “grande mutirão em prol do avanço do conhecimento” e destacou que ela poderá ajudar a encontrar novos fármacos para doenças como câncer e Alzheimer.
O diretor científico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz, disse que, desde o início das discussões para a criação do centro, a Fundação avaliou a proposta como “muito interessante”, pois engloba atividades consideradas especialmente importantes para o desenvolvimento da ciência e da tecnologia no Estado de São Paulo.
“Oferece oportunidade de fomentar pesquisas que vão levar a resultados de alto impacto intelectual, social e econômico. Além disso, cria oportunidades de colaboração internacional para pesquisadores de São Paulo. Por último, cria a oportunidade para os pesquisadores paulistas trabalharem em parceria com empresas”, afirmou Brito Cruz.
Rede mundial
O SGC mantém atualmente colaboração com mais de 300 grupos de pesquisas em 40 países. Também conta com a parceria de dez dos maiores laboratórios farmacêuticos do mundo, entre eles GlaxoSmithKline (GSK), Novartis, Pfizer e Bayer, que contribuem não apenas com financiamento como também com expertise no desenvolvimento de ferramentas essenciais para entender o funcionamento das quinases, disse Aled Edwards, fundador e presidente do consórcio.
“A melhor forma de descobrir como uma quinase funciona é inventar uma pequena molécula, uma sonda química, capaz de se ligar especificamente à enzima-alvo e inibir seu funcionamento. Então você injeta em um animal e vê o que acontece. Mas cada uma dessas sondas químicas leva entre 18 meses a 2 anos para ser desenvolvida e o custo é muito alto”, disse Edwards.
Além de disponibilizar algumas sondas químicas já existentes em sua biblioteca de compostos, as farmacêuticas parceiras da iniciativa, como a GSK, ajudarão a desenvolver no centro da Unicamp nos próximos anos pelo menos 15 novas moléculas voltadas a investigar o funcionamento de quinases ainda pouco conhecidas pela ciência.
Segundo Edwards, o projeto genoma humano revelou a existência de mais de 500 tipos de quinases, mas até hoje apenas cerca de 40 foram bem estudadas.
“O modelo de financiamento de pesquisa em todo o mundo faz com que cientistas de todos os lugares trabalhem nos mesmo projetos. Nossa proposta é trabalhar com as quinases com as quais ninguém está trabalhando, pois acreditamos que lá encontraremos as novidades de grande impacto para o desenvolvimento de novas drogas. E congratulamos a FAPESP e a Unicamp por dividirem conosco o risco de trabalhar com o desconhecido”, destacou.
Presente à cerimônia de assinatura do acordo, o representante da GSK, Bill Zuercher, explicou que a parceria com o SGC e o modelo de inovação aberta representam para as empresas farmacêuticas uma esperança de reduzir a alta taxa de fracasso no processo de desenvolvimento de novas drogas. Atualmente, cerca de 96% dos candidatos a medicamentos não obtêm sucesso na etapa de ensaios clínicos e não chegam ao mercado.
“Uma das causas desse alto índice de fracasso é a escolha inapropriada do alvo inicial da droga. E esse não é um problema fácil de solucionar. Precisamos ampliar o conhecimento sobre a biologia fundamental e esse é o tipo de pesquisa que mesmo uma empresa grande como a GSK não é capaz de fazer sozinha. Levaria séculos para entender o funcionamento de todas as quinases”, disse Zuercher, encarregado de estruturar a parte de química medicinal no novo centro da Unicamp.
O vice-reitor da Universidade Estadual de Campinas, Alvaro Crósta, destacou que o SGC-Unicamp será o primeiro polo de pesquisa brasileiro criado dentro do paradigma da inovação aberta.
“Esse modelo se adequa muito bem às etapas iniciais de desenvolvimento de novos fármacos pelo imenso volume de moléculas a serem analisadas. Além do impacto muito significativo para a saúde pública, a iniciativa promoverá forte interação acadêmica entre docentes, pesquisadores, estudantes de graduação e pós-graduação com seus pares nas instituições parceiras. Certamente surgirão oportunidades de ampla colaboração, aumentando a presença e o impacto internacional das nossas atividades”, disse.
Também participou da cerimônia Wen Hwa Lee, ex-aluno da Unicamp que hoje atua como gerente de alianças estratégicas do SGC e foi um dos intermediadores da parceria.
Outra presença de destaque foi o pesquisador da Universidade de Oxford Opher Gileadi, que ficará no Brasil em tempo integral durante o primeiro ano de funcionamento do centro para ajudar a organizar seu funcionamento.
“A área de estudos com plantas será cheia de surpresas. Pegaremos os reagentes e os conhecimentos desenvolvidos para humanos e usaremos em plantas. O ponto de partida será aquilo que já esperamos que aconteça, mas, acredite, o mais interessante será o inesperado”, disse Gileadi.
Leia mais sobre o novo centro em http://agencia.fapesp.br/19056.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
Consumo de castanha-do-brasil pode melhorar função cognitiva
Por Hérika Dias - herikadias@usp.br
Pesquisa da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP mostrou que o consumo diário de uma castanha-do-brasil, conhecida por castanha-do-pará, recuperou a deficiência de selênio e ainda teve efeitos positivos sobre as funções cognitivas de idosos com comprometimento cognitivo leve (CCL), considerado um estágio intermediário entre o envelhecimento normal e demências, como a Doença de Alzheimer.
A nutricionista Bárbara Cardoso explica que o CCL é caracterizado pela perda cognitiva (processo que envolve atenção, percepção, memória, raciocínio, juízo, imaginação, pensamento, linguagem) maior do que o esperado para a idade. “Pessoas com comprometimento cognitivo leve têm mais risco de desenvolver Alzheimer”, diz a pesquisadora e autora da tese de doutorado. Efeito do consumo de castanha-do-brasil (Bertholetia excelsa H.B.K) sobre o estresse oxidativo em pacientes com comprometimento cognitivo leve e a relação com variações em genes de selenoproteínas.
Entre as análises feitas pela nutricionista está a associação entre os níveis de selênio e o estresse oxidativo (excesso de radicais livres em comparação com o sistema protetor de cada célula) em pessoas com CCL.
Bárbara explica que o estresse oxidativo está envolvido no declínio cognitivo. Pacientes com comprometimento cognitivo leve ou Doença de Alzheimer apresentam maiores níveis de estresse oxidativo.
“Com o avanço da idade, os neurônios apresentam maior ineficiência no processo de produção de energia, com o aumento da geração de radicais livres. Já a capacidade do sistema antioxidante, que combate esses radicais, tende a reduzir. Esse descompasso contribui para o comprometimento cognitivo leve porque os radicais livres acabam afetando o sistema motor, sensorial, a memória e o aprendizado”, afirma Bárbara. O selênio é um importante mineral que constitui enzimas antioxidantes cuja finalidade é combater a formação de radicais livres. E os resultados da pesquisa indicam que o consumo da castanha-do-brasil pode melhorar a resposta antioxidante e atenuar o declínio cognitivo.
Metodologia
Foram selecionados 20 idosos de ambos os sexos, frequentadores do Ambulatório de Memória do Idoso, do Serviço de Geriatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina (FM) da USP, sendo que 95% deles apresentavam deficiência em selênio. “Esse alto índice era esperado, o solo da região Sudeste é pobre em selênio e a população de São Paulo tem tendência à deficiência de selênio”, conta Bárbara.
Durante seis meses, a nutricionista acompanhou dois grupos de idosos. O primeiro ingeriu uma castanha-do-brasil por dia e o outro não recebeu nenhuma intervenção. Após o período, no grupo que consumiu a castanha diariamente, todos deixaram de apresentar a deficiência de selênio.
Os grupos também passaram por avaliação neuropsicológica antes e depois da intervenção com a castanha-do-brasil. “Os testes analisaram domínios cognitivos, como a fluência verbal, capacidade de copiar desenhos, reconhecimento de figuras, entre outros. E o grupo que ingeriu a castanha apresentou melhora nos aspectos de fluência verbal, avaliada pelo número de animais que o entrevistado consegue mencionar durante um minuto, e praxia construtiva, avaliada pela capacidade do entrevistado em fazer cópia de quatro desenhos apresentados pelo examinador (círculo, losango, retângulos sobrepostos e cubo)”.
Segundo a nutricionista, “apenas uma unidade de castanha-do-brasil forneceu 288,75 microgramas de selênio ao dia, aumentando o consumo de selênio para além da recomendação diária (55 microgramas/dia), mas sem ultrapassar o limite tolerável de 400 microgramas”.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
Programa de inserção no esporte melhora rendimento escolar
Por Hérika Dias - herikadias@usp.br
texto completo aqui
O investimento em programas públicos de iniciação esportiva pode influenciar nos resultados em sala de aula. Alunos que participam desses programas obtiveram melhor rendimento escolar. É o que mostra pesquisa de mestrado, que avaliou a relação dos gastos envolvidos nesse tipo de ação e seus resultados, apresentada no Programa de Pós-graduação Interunidades em Nutrição Humana Aplicada (PRONUT), que engloba as Faculdades de Saúde Pública (FSP), Economia, Administração e Contabilidade (FEA) e Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP.
O estudo mostra a razão custo-efetividade da inserção esportiva, ou seja, quanto foi necessário gastar com recreação esportiva com cada criança para o aumento das notas. Em média, cada ponto de melhora no rendimento escolar nas notas de português foi associado a um custo de R$133,05 por criança por trimestre ou nas notas de matemática o valor de R$134,07.
Para chegar a esses números, a economista e autora da pesquisa Julia Guimarães Aranha acompanhou, durantes três meses, alunos de oito a dez anos de escolas de Indaiatuba, interior de São Paulo, que participavam do Programa de Recreação, Iniciação e Aperfeiçoamento (PRIA). Um programa da prefeitura da cidade voltado à inserção social e introdução de crianças em atividades esportivas fora da sala de aula.
“A proposta do estudo foi avaliar o PRIA quanto ao seu impacto sobre indicadores de estado nutricional, qualidade de vida e rendimento escolar das crianças em relação aos gastos públicos envolvidos”, explica Julia.
Cada um desses indicadores tiveram análises de diferentes variáveis, no caso do estado nutricional, foi considerado o Índice de Massa Corpórea (IMC) e a bioimpedância (BIA); para a qualidade de vida, foi aplicada a Escala de Avaliação de Qualidade de Vida (AUQEI, em francês) e para o rendimento escolar, foram utilizadas as notas de português e matemática.
Metodologia
A pesquisadora dividiu 86 estudantes em dois grupos: o primeiro que participaria do PRIA (grupo caso) e o segundo que não participaria (grupo controle). Foram realizadas aferições antropométricas e aplicados questionários socioeconômico e demográfico aos dois grupos antes dos alunos entrarem no programa de iniciação esportiva e após três meses. Também foi feita a avaliação econômica do PRIA com levantamento do custo do programa.
“A metodologia para avaliar a efetividade do PRIA utilizou o método de estimação Diferenças em Diferenças, bastante empregado na avaliação de políticas públicas. Assim conseguimos fazer modelos para medir os parâmetros do estado nutricional, qualidade de vida e rendimento escolar de cada um dos alunos dos dois grupos”, afirma Julia.
Resultado
Segundo a professora Denise Cavallini Cyrilo, orientadora da pesquisa, o estudo conseguiu verificar que o PRIA foi efetivo em termos de rendimento escolar, uma variável de inserção social, e também verificou o quanto a prefeitura de Indaiatuba deveria gastar por criança para contribuir com a melhoria do rendimento escolar.
O resultado mostrou que os alunos que participavam do programa melhoraram, em média, suas notas de português e matemática em 0,790 e 0,784, respectivamente. A partir desses valores, também foi realizada análise do custo-efetividade, avaliação econômica utilizada para programas públicos em diversas áreas.
“Medimos o custo médio da prefeitura com cada criança participante do PRIA e comparamos com o rendimento escolar. Descobrimos que o PRIA foi efetivo em termos de rendimento escolar por meio do esporte, do programa da Secretaria de Esportes da cidade de Indaiatuba”, ressalta Julia.
Para melhorar um ponto na nota de português de um aluno, a prefeitura deveria investir R$133,05 nas ações esportivas durante um trimestre; já na nota de matemática, o custo seria de R$ 134,07.
A professora Denise destaca que “em termos de estado nutricional e qualidade de vida, o período analisado foi insuficiente para verificar a efetividade do PRIA sobre essas duas variáveis”.
De acordo com a pesquisadora, apesar dos resultados estatisticamente não significantes, há indícios de que atividades esportivas também podem ter influência positiva sobre o estado nutricional e sobre a qualidade de vida. “Novos estudos são necessários a esse respeito avaliando-se períodos mais estendidos”, adverte Julia.
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PRIA Indaiatuba,
PRONUT,
rendimento escolar
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